sábado, 3 de outubro de 2015

É Melhor Serem Dois Do Que Um

É Melhor Serem Dois Do Que Um 

Após a conclusão de cada etapa da criação, vemos nas Escrituras que o Senhor Deus reconhece que aquela obra feita era algo bom (Gn 1.10,12,18,21,25,31). A única declaração de teor diferente acontece quando Deus olha para o homem que estava sozinho e afirma: “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). A sabedoria divina condena o isolamento e nos ensina as bênçãos do companheirismo:
“O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria” (Provérbios 18.1).
Viver sozinho, salvo exceções como nascer “eunuco” (com este dom) ou se fazer “eunuco” pelo Reino de Deus (por uma situação onde não é permitido um novo casamento), não é o ideal de Deus para todo o homem (Mt 19.12). A Bíblia diz que “melhor é serem dois do que um”, o que deixa isto bem claro:
“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.”  (Eclesiastes 4.9-12)
O rei Salomão, instrumento divino para nos trazer estas palavras, não estava falando especificamente sobre o casamento; ele falava sobre um exemplo de unidade que cabe num relacionamento de amigos, de parceiros de trabalho e ainda outros. E embora estas palavras não se apliquem exclusivamente ao matrimônio, este princípio bíblico também não exclui, em hipótese alguma, a relação conjugal. E é dentro deste contexto, da vida do casal, que queremos buscar entender não apenas o texto em si, mas como estas verdades se relacionam com outras declarações bíblicas acerca do casamento. O escritor de Eclesiastes menciona quatro áreas onde o companheirismo faz toda a diferença e justifica a afirmação de que é melhor serem dois do que um. São elas:
1) Parceria   -   2) Suporte   -   3) Cuidado   -   4) Proteção
Sem estas quatro expressões de companheirismo talvez fosse melhor declarar que é melhor ser um do que dois, uma vez que os “benefícios”que justificam esta afirmação deixaram de estar presentes. Queremos refletir um pouco sobre cada um deles.
PARCERIA
O primeiro benefício mencionado na declaração bíblica de que é melhor serem dois do que um é que os dois terão “melhor paga do trabalho”. Isto fala de duas coisas: da parceria nas conquistas e de sinergia, que é o resultado desta parceria.
Primeiramente queremos analisar a visão de parceria e como isto se encaixa na união matrimonial. A mulher foi criada por Deus para ser uma auxiliadora idônea, capaz (Gn 2.18). Isto significa que o homem não foi criado por Deus para conquistar sozinho e, somente depois, partilhar o “despojo” com sua esposa. Mesmo tendo a responsabilidade de provedor, o homem precisa viver a relação de parceria em cada conquista no casamento. Deus reconheceu que o homem precisaria de ajuda e, ao criar a mulher a fez com toda capacidade de prover ajuda!
Isto fala não só das conquistas materiais e geração de renda. Embora a palavra hebraica traduzida como “paga do trabalho” seja “sakar” – que significa “soldo, salário, pagamento” – ela também tem o significado de “recompensa”. O casamento é uma parceria contínua! Desde a procriação, cuidado, provisão e educação dos filhos até os ganhos materiais e financeiros o casal deve caminhar em parceria. Mesmo sendo o cabeça do lar e tendo a responsabilidade final nas decisões, o esposo deve ouvir os conselhos de sua esposa e incluí-la em seus projetos.
Se cada um quiser viver por si, como se fossem dois solteiros dividindo a mesma cama e o mesmo teto, não poderão dizer que é melhor serem dois do que um. A beleza da parceria, além do companheirismo e cumplicidade nas conquistas, pode também ser vista nos resultados. Melhor paga do trabalho não significa um salário que é dobrado para depois ser repartido entre os dois; isto não faria a menor diferença! Se cada um sozinho ganha quatro mil reais e pode ficar com tudo para si, qual é a vantagem de juntarem suas rendas que, totalizadas, chegam a oito mil reais e depois dividi-la em dois voltando ao resultado inicial? A verdade é que, juntos, mesmo repartindo, o casal conquista mais! Por exemplo, se cada um sozinho produz uma renda de quatro mil reais, mas juntos conseguem produzir doze mil reais (em vez de só os oito mil reais que conseguem sozinhos), então temos uma sinergia. Em vez de somar resultados, a parceria os multiplica! Isto é sinergia e vemos este princípio na Bíblia:
“Como poderia um só perseguir mil, e dois fazerem fugir dez mil, se a sua Rocha lhos não vendera, e o Senhor lhos não entregara?” (Deuteronômio 32.30)
“Perseguireis os vossos inimigos, e cairão à espada diante de vós. Cinco de vós perseguirão a cem, e cem dentre vós perseguirão a dez mil; e os vossos inimigos cairão à espada diante de vós. Para vós outros olharei, e vos farei fecundos, e vos multiplicarei, e confirmarei a minha aliança convosco.” (Levítico 26.7-9)
Falando das batalhas que o povo de Israel iria travar ao entrar na terra Prometida, Moisés, da parte de Deus, fala aos hebreus que um deles perseguiria mil, mas dois juntos não somariam os resultados para dois mil, mas o multiplicariam para dez mil! Também afirma que cinco perseguiriam a cem (o equivalente a vinte pessoas por perseguidor), mas cem perseguiriam a dez mil (o equivalente a cem pessoas por perseguidor). Isto é sinergia. Tanto em um exemplo como no outro vemos que neste tipo de parceria os resultados não se somam, se multiplicam. Podemos trazer este princípio para o planejamento familiar, para a criação dos filhos, para o trabalho e conquistas materiais e, não só para a dimensão natural, mas também para a espiritual: a vida de oração do casal.
Tenho aprendido a incluir a participação de minha esposa em tudo que faço. Desde o planejamento financeiro e decisões que precisam ser tomadas nesta área até as questões do ministério; a Kelly participa na forma como prego e ensino (antes, na preparação, e depois, na avaliação), como conduzo as reuniões ministeriais e a vida da Igreja, em minhas viagens (mesmo quando não pode me acompanhar faz a retaguarda de oração)… Sou muito grato a Deus por me permitir viver em parceria com minha esposa!
Porém, se os cônjuges decidem viver cada um por si, sem a dimensão de parceria proposta nas Escrituras, não poderá se dizer que é melhor serem dois do que um… Reveja estes valores em seu casamento. Não deixe de buscar viver esta poderosa parceria. O casamento não é apenas duas pessoas que decidiram viver juntas, é o ato de construírem juntos uma vida!
SUPORTE
Outra característica importante do companheirismo e que valida a afirmação de que é melhor serem dois do que um, é o suporte. A Escritura Sagrada declara que “se caírem, um levanta o companheiro”. Nos momentos de altos e baixos que enfrentamos, o que está melhor ajuda o outro. Encorajamento, apoio, suporte, são essenciais a união matrimonial.
Muitas pessoas entram com a motivação e expectativa errada no matrimônio; elas entram na aliança matrimonial pensando muito mais em receber do que em oferecer algo. Esperam que o cônjuge, ou mesmo a própria relação, façam-nas felizes. Porém, como já afirmamos, o fato é que não nos casamos com o único propósito de sermos felizes, mas primeiramente, para fazermos o cônjuge feliz (Dt 24.5). A Palavra de Deus nos ensina que o homem casado deve agradar a sua esposa e vice-versa (1 Co 7.33,34).
É correto esperar receber suporte do seu cônjuge, mas antes de esperar receber (ou mesmo cobrar esta atitude), devemos oferecer suporte! Estamos falando dos padrões de Deus para o casamento e não do matrimônio segundo o mundo. Portanto, espera-se dos cônjuges cristãos um comportamento que demonstre maturidade cristã. E esta maturidade nos faz compreender que dar é mais importante do que receber (At 20.35).
Em sua carta aos coríntios, Paulo declara que “o amor não busca os seus próprios interesses” (1 Co 13.5). Escrevendo aos filipenses, o apóstolo também ensina o crente a não olhar só para si, mas para os outros, e afirma o seguinte:
“Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.” (Filipenses 2.4)
O Senhor Jesus também nos ensinou (não só com palavras, mas principalmente por seu exemplo) acerca da virtude de servir em vez de apenas buscar ser servido:
“Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Marcos 10.42-45)
A maioria das queixas dos casados contra o próprio cônjuge são cobranças do que o outro deveria ter feito. Infelizmente, somos egoístas demais e focados no próprio umbigo! Contudo, quando em vez de somente querer ser servidos, colocamos nossos cônjuges à frente e passamos primeiro a servir, alimentamos um outro ciclo onde nossos cônjuges, em vez de também apenas cobrarem, passarão a também nos servir com alegria. Não é fácil colocar o outro à frente de seus sonhos, projetos e vontades!
Lembro-me que na ocasião em que o Israel – nosso primeiro filho – nasceu a Kelly entrou numa crise enorme. Estávamos casados há dois anos e meio nesta ocasião, mas a Kelly havia saído de casa e mudado para a nossa cidade cerca de um ano antes do casamento; portanto já estava há pelo menos três anos e meio morando longe dos pais. A distância de quase setecentos quilômetros entre nossa casa e a casa dos meus sogros, somada à uma certa limitação financeira dos primeiros anos de casado, não nos permitia vê-los com tanta frequência como gostaríamos, mas mesmo assim a Kelly nunca deixou de me apoiar e de sustentar a mesma declaração que Rute fez à sua sogra Noemi:
“Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.” (Rute 1.16)
De repente, após o nascimento do Israel, minha esposa começou a demonstrar sinais de tristeza por estar tão longe do restante da família (dela e minha, pois meus pais moravam numa cidade próxima à dos pais dela). Ela dizia que havia se dedicado em me apoiar e acompanhar e que nunca havia se arrependido disto, mas que partia o coração dela saber que o nosso filho iria crescer longe dos avós e do restante da família. Conversamos e oramos acerca disso várias vezes e a situação parecia somente se agravar.
Um dia, tive uma conversa séria com ela; disse que percebia que ela não estava conseguindo superar aquilo, embora continuasse se esforçando muito para me apoiar. Expliquei que, embora ela não reclamasse nem pedisse para nos mudarmos, era evidente que, naquele momento, seu coração não estava mais ali na cidade. Então declarei a ela que, em função do que ela estava enfrentando, eu estava disposto a deixar o pastorado daquela igreja para nos mudarmos para mais perto da cidade dos nossos pais, uma vez que, depois de Deus, a família é nossa maior prioridade. A Kelly se alarmou com minha sugestão e disse que não queria atrapalhar meu ministério. Retruquei que eu poderia exercer o ministério onde quer que estivesse, que já tínhamos uma boa equipe ministerial naquela igreja, e que não havia me mudado para lá afim de ficar ali para sempre. Mesmo assim, ela preferiu orar mais e buscar ao Senhor antes de qualquer decisão precipitada e, acabou entendendo da parte de Deus que não era a hora de nos mudarmos e que o Senhor traria graça e ela venceria aquela crise, como de fato aconteceu.
Mesmo não tendo nos mudado, naquele dia a Kelly percebeu que meu compromisso com ela era bem maior do que ela imaginava. Foi algo parecido com o sacrifício que Deus pediu a Abraão; ainda que ele não tenha chegado ao ponto de imolar Isaque, soube-se que ele teria ido até o fim. Esta foi a minha primeira experiência no casamento onde realmente enxergamos a importância de oferecer suporte um ao outro. Eu faria qualquer coisa para apoiar minha esposa e vê-la feliz; ela, por sua vez, lutava com sua crise não querendo me tirar do propósito divino e achando que, mesmo em meio à lutas e dificuldades, deveria estar ao meu lado a qualquer preço.
Penso que se tivéssemos agido de forma egoísta, com ela lutando para estar perto dos pais e eu lutando pelo meu ministério, nossa relação, em vez de consolidada como foi, teria sofrido um sério desgaste. Oferecer suporte ao cônjuge é algo de um valor imensurável. Se trouxermos este padrão de conduta cristã ao nosso casamento tudo será diferente! Porém, se os cônjuges decidem apenas esperar (ou mesmo cobrar) por suporte da parte do outro, então não poderá se dizer que é melhor serem dois do que um…
Reveja estes valores em seu casamento. Nunca deixe de ser um instrumento divino de apoio e fortalecimento, de consolo e amparo ao seu cônjuge!
CUIDADO
O texto de Eclesiastes também afirma que “se dois dormirem juntos, se aquentarão”. Acredito que isso fala – dentro do contexto da união matrimonial – de levar calor para a vida do companheiro, ajudá-lo a superar os desconfortos da vida, bem como promover pequenas alegrias e cuidados.
Um casal “brigado” normalmente não gosta de dormir junto, porque este é um ato de intimidade. Na minha primeira semana de casado, a Kelly brincou comigo acerca disso. Ela me falou que a mãe dela a havia aconselhado antes de casar, dizendo: “Aconteça o que acontecer, não importa o desentendimento que um dia você e o Luciano possam vir a ter, nunca saia do quarto!”E quando eu ia elogiar a sabedoria da minha sogra ao dar este conselho, ela terminou com a seguinte frase: “Se alguém tiver que sair do quarto, que seja ele! Você, minha filha, defenda o seu território!” Nós rimos juntos da brincadeira, mas decidimos desde aquele dia vigiar para que isto não viesse a acontecer de fato. A Palavra de Deus nos adverte:
“Irai-vos e não pequeis; não se ponha o Sol sobre a sua ira, nem deis lugar ao diabo.” (Efésios 4.26,27)
Isto significa que um casal nunca deve deixar a ira durar até o dia seguinte; pelo contrário, os cônjuges devem se reconciliar antes de dormir! Mas por que a tendência de um casal que se desentende é dormir separado? A verdade é que dormir junto fala de intimidade. Também fala do leito do casal e da sua vida sexual. O conceito de amor e intimidade de um casal está fortemente associado ao quarto e à cama. E este tipo de cuidado mútuo não pode faltar. Porém, aquecer um ao outro é algo que, no casamento, fazemos não só de modo literal, sob cobertas, mas também no âmbito emocional. São conversas, expressões de carinho por meio de palavras, presentes e atitudes que não permitem que o coração do cônjuge se esfrie.
Cuidado não é só prover e arrumar a casa; também fala de coisas pessoais de um para o outro, dos pequenos mimos, de tudo aquilo que mostra que o cônjuge se importa de fato. Quando isso falta, a relação se deteriora, e então, sem estes valores, acabamos tendo que dizer que é melhor ser um do que dois. Reveja a importância do cuidado mútuo em seu casamento. E faça valer a afirmação “é melhor serem dois do que um”.
PROTEÇÃO
O texto de Eclesiastes ainda revela que “se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão”. Isso fala de proteção, defesa mútua, cobertura recíproca. Quando as batalhas surgem, o casal deve aprender a se unir e resistir juntos. Há muitos tipos de lutas e de inimigos que tentam prevalecer contra nós. Uma delas, é a batalha que é continuamente travada no reino espiritual contra todo cristão (e matrimônio):
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.” (Efésios 6.11-13)
Paulo escreve aos efésios advertindo acerca da realidade da batalha espiritual, mostra claramente quem é o inimigo e revela que, para oferecer resistência, o cristão deve se revestir da armadura de Deus (que é detalhada nos versículos 14 a 17). Mas depois de falar das armas é que ele ensina como se trava esta batalha:
“Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos”. (Efésios 6.18)
A oração não é apresentada como uma arma. O ato de orar é a própria guerra onde entramos munidos de toda a armadura de Deus. O primeiro nível de resistência que um casal deve aprender a oferecer é mediante a oração. Temos que cobrir a vida de nosso cônjuge de oração; devemos fazer guerra contra o inimigo (e as circunstâncias) por meio da oração!
Recordo-me de certa ocasião em que o entendimento da necessidade deste tipo de batalha pelo cônjuge ficou, na prática, muito claro para mim. No nosso primeiro ano de casado, a Kelly enfrentou uma luta que vencemos em oração. Certo dia saí cedo de viagem para voltar no fim da tarde do mesmo dia. Por conta de um atraso causado pelo tráfego da rodovia, liguei para casa para dizer a minha esposa que chegaria depois do previsto, o que me faria ir direto para a igreja, uma vez que era dia de culto. Quando pedi que fosse me encontrar na reunião, a Kelly disse que preferia não ir ao culto, pois não estava bem. Perguntei o que ela estava sentindo, posto que pela manhã, quando saí de viagem, ela estava bem. Ela me falou de sintomas físicos, mas também de uma grande batalha emocional e espiritual que passara a sentir no fim da tarde e que não entendia o que era aquilo nem porque estava acontecendo. Senti que deveria orar com ela por telefone mesmo e, travei batalha contra as forças das trevas, abençoei a vida dela, intercedi e desliguei o telefone. Ela me contou depois do culto que estava deitada quando eu orei por ela; de repente, um calorão começou a percorrer seu corpo e fazê-la suar e os sintomas desapareceram completamente. Fiquei espantado quando voltei para casa e ela me mostrou os lençóis e o travesseiro completamente molhados! A Kelly testemunhou que foi imediatamente curada no corpo e que toda nuvem de opressão desapareceu enquanto eu orava por ela. Isto nos fez levar mais a sério a realidade da batalha espiritual que travamos e a importância de cobrirmos de oração a vida um do outro. Gosto de um exemplo bíblico que mostra alguém lutando por outro em oração:
“Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.” (Colossenses 4.12 – ARC)
A palavra grega traduzida como “combatendo” neste versículo é “agonizomai” e, conforme o Léxico da Concordância de Strong, significa: “entrar em uma competição, competir com adverários, lutar, esforçar-se com zêlo extremo, empenhar-se em obter algo”. A versão KJA (King James Atualizada) traduziu como “guerreando”, a versão Atualizada de Almeida escolheu esta palavra como “esforça-se sobremaneira”, a e a versão Revisada optou por “sempre luta por vós”.
Além da batalha espiritual, que travamos por meio da oração, há outros níveis de resistência a oferecer. É a guerra contra a sensualidade e as propostas de envolvimento sexual ilícito, cujo apelo é cada dia maior. Já nos dez mandamentos, na Antiga Aliança, temos dois mandamentos que envolvem a saúde matrimonial: 1) “não adulterarás” e 2) “não cobiçarás a mulher do próximo”. Portanto, percebemos que Deus sempre tratou disso como uma área que requer cuidado. O apóstolo Paulo advertiu os irmãos de Corinto:
“Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.” (1 Coríntios 7.5)
A Bíblia diz que Satanás, como tentador, vai tentar explorar as brechas que os cônjuges dão nesta área. Reconheço, porém, que esta batalha não se trava somente com oração e que o tipo de resistência que o casal deve oferecer contra os ataques sensuais envolve cuidar e suprir as necessidades físicas um do outro. Um cônjuge suprido emocional e sexualmente não estará exposto a este tipo de ataque como aquele que tem sido negligenciado nesta área. Há uma declaração no Livro de Provérbios que nos mostra isto:
“A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce.” (Provérbios 27.7)
O casal deve lutar junto, e não um contra o outro. Talvez um dos tipos de defesa que deva ser praticado pelo marido e mulher seja o de proteger ao cônjuge de si mesmo. Muitas vezes existem ataques verbais (e emocionais) que ferem profundamente ao cônjuge e ainda entristecem ao Espírito Santo:
“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia.” (Efésios 4.29-31)
O matrimônio é o mais profundo laço de relacionamento, supera o dos filhos com seus pais, por isso o homem deixa pai e mãe para se unir à sua mulher (Gn 2.24). Contudo, muitos cônjuges erram deixando haver interferência dos pais no relacionamento. Devemos honrar ao pais, isto é bíblico, mas quando os pais (ou sogros) começam a atacar e implicar com seu cônjuge, penso que você deve protegê-lo (a menos que ele esteja realmente insistindo no pecado). Ao longo dos anos de ministério pastoral tenho visto muitos problemas e mágoas causados por esta falta de cuidado e proteção.
Neste nível de relacionamento, a cobertura recíproca é importantíssima. Nunca descubra seu cônjuge a quem quer que seja; não exponha as fraquezas dele, não o critique em público. Proteja-o de ser ferido emocionalmente!
Estes são ingredientes importantíssimos para um relacionamento: parceriasuportecuidado eproteção. Sem eles não dá para dizer que é melhor serem dois do que um! Se não trouxermos estes valores e práticas para nossa relação conjugal, então, tristemente teremos que reconhecer que é melhor ser um do que dois. Negligenciando estas práticas acabaremos por concluir que era melhor ter ficado solteiro. E muitos casados estão tentando viver sob o mesmo teto como se ainda fossem solteiros; isto tem que mudar, caso contrário, seu relacionamento estará condenado.
Paulo disse aos coríntios: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisiti das coisas próprias de menino”(1 Co 13.11). Parafraseando a afirmação do apóstolo, poderiamos dizer: “quando eu era solteiro, falava como solteiro, sentia como solteiro, pensava como solteiro; quando cheguei a ser casado, desisiti das coisas próprias de solteiro”.
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Autor: Luciano P. Subirá.

Ficar é Pecado? E por quê, se a Bíblia não fala nada disso?

Ficar é Pecado? E por quê, se a Bíblia não fala nada disso?

imageExiste uma diferença muito grande dos jovens e adolescentes de hoje contra os jovens da minha época. O jovem hoje tem uma imensa necessidade querer “a prova” quando o assunto é bíblico.
Quando Cristo estava no deserto, o diabo o tentou usando a própria palavra de Deus, mas Cristo o repreendeu a todas suas tentativas também na palavra de Deus, mas hoje ele faz diferente.
E o diabo tem usado muitos jovens e adolescentes nesse sentido. Por que, muitas coisas que vivemos hoje, não são descritas na bíblia com clareza e o diabo cria situações onde, as coisas que vivemos hoje que é pecado, mas está claramente escrito na bíblia torne algo sem valor. Afinal de contas, na bíblia não fala sobre isso. É assim que o diabo age. Astutamente.
Como jogos de azar. A bíblia não fala claramente sobre jogos de azar. Mas sabemos o que ele pode causar a vida do homem. O jogo do bicho é um jogo ilegal; E como é ilegal é pecado. E a loteria esportiva e a federal? São jogos de azar, mas são jogos legalizados pela Justiça, então é pecado ou não?
E beber aquela “cervejinha com os amigos” no bar? Para o diabo não é pecado, afinal de contas, não está escrito na bíblia a tal “cervejinha”; Mas o ambiente escarnecedor está escrito. Então o diabo diz: Então beba cerveja em casa! E assim em nossas igrejas vão aparecendo pessoas que frequentam há anos, mas não largam a bebida, o cigarro e nem os jogos e ficam com a vida desgraçada e depois cobram a Deus e os pastores por que suas vidas não mudaram.
Vou deixar aqui uma continuação sobre o “Ficar” que é o ponto central do texto.
A expressão “ficar” é muito comum no meio da juventude de hoje e tem o sinônimo de flertar.
Ficar segundo o Dicionário Howaiss é “manter com alguém convívio de algumas horas sem compromisso de estabilidade ou fidelidade amorosa”. Ficar é brincar de estar amando, é o cortejo irresponsável, momentâneo, sem futuro. É um tipo de brincadeira perigosa, como quem brinca com fogo. Ficar é uma maneira de manipular alguém mediante conversas e atitudes que podem seduzir física e emocionalmente, isto sem falar na defraudação moral e emocional para com esta. Ficar por ficar é algo que foge completamente aos princípios do namoro cristão. Além do mais é muito difícil “ficar” sem que não haja um envolvimento emocional, e isso acaba machucando.
Observe as conseqüências negativas do ficar:
(1) incentiva paixões e hábitos impuros levando o jovem cristão a ser controlado por emoções e não pela Palavra;
(2) incita à infidelidade e à mentira (Jo 8.44);
(3) ataca a moral cristã, ou seja, defrauda a imagem do jovem cristão perante a sociedade e a Igreja;
(4) incentiva as paixões da carne (II Tm 2.22).
No que tange a sua vida sentimental o jovem cristão deve procurar viver de acordo com a Palavra de Deus, ou seja, orar buscando a direção do Senhor para namorar e casar e não permanecer “ficando” e se depreciando por curtos momentos de euforia e prazer. A questão do ficar leva à intimidade em que moços e moças se permitem tocar ou acariciar as partes intimas do corpo, ou através da roupa ou em contato direto. Concluo afirmando que a prática do ficar é pecado e que o jovem leitor deverá mudar seu comportamento se quiser agradar a Cristo e subir no dia do arrebatamento da Igreja. Ou você prefere “ficar”?

Conhecendo as ciladas do diabo

Conhecendo as ciladas do diabo 



    O texto de Efésios 6: 11 contém a seguinte instrução: "Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes permanecer firmes contra as CILADAS do diabo". Vamos parar um pouco nesta parte do versículo e analisar o que vem a ser uma "cilada". Com certeza, o cuidadoso estudo desta palavra poderá nos fornecer muitas ferramentas úteis para sobrevivermos nestes dias difíceis que estamos vivendo!
    Cilada é o mesmo que armadilha. Na definição do dicionário encontramos os seguintes sinônimos: laço, engenho, artifício usado para prender... Pelos significados, fica a idéia de que sempre envolve o "elemento surpresa"... E o que isto tem a ver com o andar cristão? Tem muito a ver, como iremos observar adiante.
    Nos dias do rei Ezequias, encontramos uma narrativa que ilustra perfeitamente o que estamos analisando. A passagem de II REIS 18: 31-32 fala-nos de seis ciladas que, com relativa freqüência, vemos o diabo usando contra o povo de Deus; e o pior é que muitas vezes nos deixamos envolver por estas ciladas, enquanto a bíblia nos ensina a permanecermos firmes contra tais ciladas.
    Vamos estudar as armadilhas com as quais se deparou aquele rei e seu povo:
1)Proposta de aliança,
2)Proposta de apoio,
3)Proposta de segurança,
4)Despertamento de nosso egoísmo e auto-afirmação (independência),
5)Imitação e/ou falsificação das coisas do Espírito e,
6)Questionamento da provisão de Deus (dúvida).

A PROPOSTA DE UMA ALIANÇA!

    Vamos falar primeiramente de uma das ciladas mais usadas, uma das que o diabo obtém maior sucesso contra a igreja... Vejamos o início do verso 31 - "Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assíria: FAZEI AS PAZES COMIGO"...
    Nestas palavras vemos uma das formas pela qual o diabo, muitas vezes, nos prende, literalmente nos amordaça; impedindo-nos de caminhar livremente... Através da proposta de uma aliança!... De um comprometimento a um jugo desigual...
    É com relativa freqüência que vemos verdadeiros cristãos sendo derrotados por não saberem lidar com esta emboscada do diabo.
    Quando Israel saiu do Egito, o Senhor, repetidas vezes, advertiu o povo a evitar as alianças com os povos vizinhos. Logo no Gênesis lemos que o Senhor fez separação entre luz e trevas. Paulo também adverte a igreja com as seguintes palavras, registradas em II Coríntios no capítulo 6, versículo 14: "Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos, pois, que sociedade tem a justiça com a injustiça? Ou que comunhão tem a luz com as trevas?".
    Muitas vezes, pelo acanhamento de dizer NÃO, preferimos aceitar determinadas situações que se constituem, na verdade, em uma aliança com pessoas que não têm a menor intenção de servir a Deus. Aliança significa pacto, significa estar aliado, de acordo...
    Muitas vezes, por receio de magoar outras pessoas, optamos por consentir com coisas que desagradam a Deus, e assim, tornamo-nos cúmplices de pecados alheios...
    É fácil resistir quando é algo que, "de cara", nos chame a atenção! Mas o que dizer daquelas situações em que tudo acontece de maneira sutil e inteligentemente velada...
    Precisamos tomar cuidado quando nos são apresentadas determinadas propostas... Muitas vezes com ofertas irrecusáveis e aparentemente, "propostas de paz"!
    Esta primeira proposta, normalmente, leva-nos a uma segunda cilada! Esta cilada vem a ser o que chamaremos de proposta de apoio...

A PROPOSTA DE APOIO

    No prosseguimento da leitura de II Reis 18:31, lemos que o comandante assírio, transmitindo a mensagem de seu rei diz: "SAÍ A MIM"...
    Vemos aqui uma proposta de apoio! Poucos resistem às propostas de apoio; principalmente quando estamos fragilizados por algum motivo. Como por exemplo, quando estamos magoados ou passando por uma grande provação. Parece que ficamos carentes de pessoas que nos digam que estamos certos. Desejamos, quase que a qualquer custo, que alguém nos diga que "está conosco". Desejamos que alguém nos acolha!
    O que ignoramos é que muitas vezes, isto vem a se constituir num laço. Pois nosso adversário tem lançado mão desta fraqueza de nosso temperamento para nos infligir este ataque.
    E com relativa freqüência, este ataque se desenvolve de modo sutil. Desembocando numa terceira cilada...

A PROPOSTA DE SEGURANÇA

    Na continuação do texto lemos que o comandante do exército assírio, apresenta uma seqüência de verbos associados à sobrevivência humana... Diz ele, "COMA cada um da sua vide e da sua figueira; e BEBA cada um da sua própria cisterna; até que EU VOS LEVE para uma terra... para que VIVAIS e NÃO MORRAIS"...
    Vemos nesta passagem uma clara proposta de segurança... Que é algo cada vez mais desejado em nossos dias. Falamos aqui, não somente da segurança pessoal e temporal; mas, sobretudo da segurança num termo mais amplo... A segurança que nos motiva a lutar pela vida. Lutar pela sobrevivência!
    Muitas vezes o diabo lança mão deste ataque para nos atrair para um terreno perigoso. Pois, de maneira semelhante à cilada anterior, esta proposta mexe com fraquezas de nosso temperamento.
    É difícil resistir aos apelos de nosso íntimo no que se refere a termos o melhor. É difícil resistir ao desejo de conforto e vida fácil, e em nome destas coisas, que julgamos essenciais à nossa sobrevivência, acabamos por concordar com o pecado em nossa vida. Parece que quando falamos em sobrevivência, fica mais fácil tentar enganar nossa consciência, afinal sobreviver é necessário... E assim facilmente nos esquecemos de que a bíblia "troveja": "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm..." (I Cor 6:12-13)!!

    Vimos até agora três ciladas que o inimigo de nossas almas coloca em nosso caminho: três propostas (de aliança, de apoio e de segurança), e quando estas artimanhas falham, ele tem outros meios de tentar nos prender, e este "prender", muitas vezes, consiste em -apenas obter o nosso sim-.
    Observando atentamente a mesma passagem, vemos uma outra seta maligna contra os cristãos. Referimo-nos a uma outra cilada que tem derrubado e prendido a muitos:

DESPERTAMENTO DE NOSSO EGOÍSMO E AUTO-AFIRMAÇÃO (INDEPENDÊNCIA)

    Quem resiste a tentação de fazer as coisas por si mesmo e a seu modo?
    Quem resiste ao famoso jargão (?): - Eu sou dono do meu nariz! -
    Observemos que as palavras mencionadas pelo general assírio são as mesmas da cilada anterior, porém, aqui vamos verificar a ênfase em outras palavras. No versículo 31 da passagem que estamos analisando, lemos: "... comei CADA UM DA SUA PRÓPRIA vide e da SUA PRÓPRIA figueira, e bebei CADA UM DA SUA PRÓPRIA cisterna".
    Opa!! Estas palavras requerem a nossa atenção!
    Vamos analisar com um pouco mais de detalhes esta passagem. Notemos que são repetidas as palavras CADA UM e SUA PRÓPRIA... Estas palavras trazem no seu contexto uma idéia de independência... E isto nem sempre é bom, esta cilada estava incluída na tentação sobre Eva no Éden, e assim como (para o diabo) deu certo lá, continua dando certo hoje, contra a igreja.
    Perdoem-me os adeptos desta teoria moderna acerca da auto-afirmação, tipo: "você é capaz, você é o tal, você... você... você..." Esta teoria é positivista; e como tal, é humana e cheia de erros! Pelo menos no aspecto do relacionamento entre o cristão e Deus.
    Nesta passagem vemos o diabo lançar um ataque no sentido de levar o cristão a viver de modo "autônomo" em relação ao Senhor (é como costumo chamar tal atitude).
    Um exemplo do risco desta atitude é o que vemos na narrativa acerca do moço que chegou diante de seu pai e disse: "_Pai, dá-me a parte que me cabe dos bens"... E na continuação da leitura vemos que aquele moço, "passados não muitos dias", ajuntou tudo que era seu e "partiu para uma terra distante"... E o resto da história é conhecido de todos... (Lucas 15:11-13). Porém nossa atenção aqui é para o fato de que a queda daquele moço começou por sua atitude de independência, uma atitude egoísta e de arrogante auto-afirmação! (Abrindo aqui, literalmente, um parênteses, acredito que seja por isso que muitas de nossas orações não são atendidas...)!
    Nestes dias em que a técnica tem prevalecido sobre a oração e a busca por soluções divinas; em que o "jogo político" tem prevalecido sobre a orientação do Espírito Santo e assim por diante, precisamos verificar se já não estamos presos nesta armadilha... A armadilha de acharmos que somos capazes em nossas próprias forças... (Recomendo a leitura do Salmo 44:1-8, com especial atenção aos versos 3 e 6).
    Passemos então à quinta cilada.

IMITAÇÃO E/OU FALSIFICAÇÃO DAS COISAS DE DEUS

    Temos aqui outra cilada, a cilada de imitar e até mesmo falsificar as coisas do Espírito.
    No texto que estamos analisando, também no verso 32, lemos que aquele general, dirigindo-se ao povo de Judá, garantiu que os levaria para uma terra COMO a deles! (Vejam que atrevimento!!). E não pára por aí...
    Observemos que ele fala com detalhes! Fala das características e dos valores da Terra do povo de Deus... Fala dos cereais, do vinho, do pão, das vinhas, das oliveiras e do mel... Fala como autoridade e verdadeiro conhecedor da Boa Terra!
    Ora, temos aqui uma perfeita ilustração acerca do que Paulo escreve aos coríntios, quando diz que o próprio satanás se transforma em "anjo de luz" (II Cor. 11:14). Precisamos estar atentos para certas novidades que tem sido a regra em muitas de nossas celebrações. Há como mantermo-nos dentro da atualidade sem contudo debandar para mais esta cilada.
    O diabo tem investido nestas imitações e nestas falsificações contra as igrejas!
    A maioria dos textos que abordam as profecias acerca das dificuldades no final dos tempos, menciona a apostasia e o engano como um dos sinais.
    Imitações e falsificações do poder de Deus são os principais combustíveis para a apostasia. E é importante que saibamos que apostasia é diferente de heresia. Uma heresia é facilmente detectada, pois trata-se de uma doutrina contrária aos princípios da fé e aos ensinamentos do Evangelho. Quanto à apostasia, já não é tão perceptível assim, pois o erro doutrinário é mais sutil, encoberto. Algumas vezes encoberto por textos da própria bíblia. Nas palavras do general assírio: "Uma terra COMO a vossa!"

    Já falamos de cinco ciladas: as três propostas (aliança, apoio e segurança) e as duas estudadas anteriormente, que são: despertamento de nosso egoísmo/ auto-afirmação e a imitação/ falsificação das coisas de Deus. Entraremos agora na abordagem da última cilada encontrada no texto em análise.

QUESTIONAMENTO DA PROVISÃO DE DEUS (DÚVIDA)

    No final do verso 32, o general assírio diz: "Não deis ouvidos a Ezequias, porque vos engana dizendo: - O Senhor nos livrará".
    A tática diabólica de questionar a capacidade do Senhor livrar é antiga. No Jardim, já vimos esta artimanha ser utilizada contra Eva...
    O escritor aos hebreus, diz que grande parte do povo não pôde desfrutar das bênçãos de Deus por causa da incredulidade; que é a mesma coisa que dúvida. É um questionamento da provisão de Deus... A dúvida é uma forma de desobediência!
    Diversas vezes e de diversas formas, o diabo lança situações contra nós em que somos tentados a duvidar de Deus. Estes ataques vão desde os mais sutis e sofisticados até os mais agressivos, onde é usada a intimidação.
    Nesta passagem que estamos abordando vemos a intimidação quando o comandante assírio fala dos povos vizinhos que se deram mal por acreditarem em seus deuses. E irrompe a falar do poderio da Assíria que a tudo e a todos "devorava". Como a dizer: "Com vocês não será diferente... Não adianta esperar ou servir a Deus"... E desta forma ele lançava a dúvida. Com certeza muitos dentre o povo começaram a questionar se por acaso não seria mesmo daquele modo...
    E nós?!? Não temos também cedido às "cantorias" do mundo? Não temos considerado a possibilidade de Deus estar mentindo após lermos muitos artigos assinados pelos "generais" das diversas áreas das ciências? Ou mesmo após um grande ataque à nossa vida e à nossa fé por meio dos generais da mídia...

EXTRAINDO LIÇÕES

    Com certeza, o diabo tem colocado seus generais à porta de nossas igrejas e de nossos lares. Tem lançado contra nós as mesmas ciladas, seu intuito é fragilizar a igreja e o poder de seu testemunho que consiste na vida prática de cada cristão individualmente. Seu intuito é fazer-nos presa de nossos próprios desejos e fraquezas!
    Porém, no contexto da passagem que estamos analisando, encontramos a saída para escaparmos destas armadilhas. No versículo 1 do capítulo 19, lemos que o rei Ezequias tendo ouvido as palavras daquele "enviado do diabo", fez três coisas que nenhum cristão que queira ser "mais que vencedor" deve deixar de fazer:
1)Rasgou as suas vestes,
2)Cobriu-se de pano de saco,
3)Entrou na Casa do Senhor.
    Estas atitudes falam-nos de fé e de submissão aos propósitos do Senhor!
    Quando se viu atormentado por aquelas investidas do diabo, Ezequias entrou na presença de Deus... O apóstolo Pedro, séculos depois, deu o mesmo conselho à igreja, em sua primeira carta, no capítulo 5, versos 6 ao 9, : "Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resistí-lhe firme na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo".

RECAPITULANDO:

    Por meio de uma vida na presença de Deus, poderemos vencer as principais ciladas do diabo que consistem em:
- Proposta de aliança,
- Proposta de apoio,
- Proposta de segurança,
- Despertamento de nosso egoísmo/ auto-suficiência (independência),
- Imitação/ falsificação das coisas do Espírito e
- Questionamento do poder de livramento do Senhor (dúvida).

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Uma escolha sem fé e seus resultados

Uma escolha sem fé e seus resultados


1)      Sair da terra
2)      Sair do meio da parentela
3)      Da casa do pai
Abraão saiu da terra e da casa do pai, mas ficou no meio dos parentes, seu sobrinho Ló, com toda a sua gente. Cf. Gn 12.1; 13.8.
Isso se tornou em espinhos até hoje da parte dos “sobrinhos”, os parentes de Israel. A Bíblia diz que Ló era justo (2Pe 2.7), embora o justo apenas se salva (1Pe 4.18).
Abraão conviveu junto de Ló seu sobrinho até que teve uma decisão, levando-o a uma prova (Gn13.10). A da escolha.
Cada criatura tem de escolher para si mesmo o seu futuro, e, Deus dá esse direito de livre escolha.
Em nosso lar, nossos filhos chegarão ao tempo da sua própria escolha pela Fé. Ninguém poderá andar às cegas, acompanhando o pai, tio ou alguém da família para aqui e para lá. Tem de tomar uma decisão de Fé e seguir em obediência à Palavra de Deus.
Paulo não foi desobediente, mas seguiu pela Fé (At 26.19). Cada um tem de seguir pela fé na estrada da vida, sem a qual ninguém pode agradar a Deus (Hb 11.6).
I. POR QUE O HOMEM TEM O DIREITO DE ESCOLHER?
1. Porque a liberdade é uma prerrogativa de Deus – (2 Co 3.7). – Concessão ou vantagem que se distingue uma pessoa. Privilégio, regalia.
2. Porque o homem foi criado num estado de livre arbítrio – (Gn 2.16,17).
3. Porque só um ser de vontade livre tem o direito de escolher – (Gn 4.7).
4. Sem liberdade não há justiça – (Gn 18.25; Sl 9.8; At 17.31).
5. O homem é julgado pela sua liberdade de ação – (1Co 8.9; Gl 5.13; 1Pe 2.16).
6. A predestinação do homem depende de sua escolha – (Rm 1.16; 8.29,30).
7. O homem tem o direito de escolher porque é bíblico – (Mt 7.13; 10.38,39).
II. A LIBERDADE DE ABRAÃO NA ESCOLHA. Gn 13.8-10.
1. O velho Patriarca tinha o direito de escolha e selecionar o melhor, mas não o fez, deu esse direito a Ló para escolher o melhor. Entretanto, ele deixou isso nas mãos do Eterno, com respeito aonde iria. “Se fores para esquerda eu irei para a direita, e vice-versa”.
2. Abraão deu todo esse direito ao sobrinho, que ao levantar os olhos, viu a melhor terra, toda a planície do Jordão – Sodoma e Gomorra, antes da destruição.
3. O cristão deve escolher a melhor leitura para sua vida espiritual, melhor companhia para suas viagens e os melhores negócios para o seu bem estar e glória para Deus (Sl 119.1; 148.1).
III. SETE RAZÕES QUE INDUZ A MÁ ESCOLHA.
1. A cobiça dos olhos – (Gn 3.6; Js 7.21).  –  Note bem, a sorte de Ló, ao escolher pelos olhos da carne, o que lhe sucedera. (Gn 14.12). Isso é apenas o princípio como aviso de Deus. Mais tarde veio um terrível juízo sobre as cidades dos pecadores.
2. O desejo da carne – (Jz 14.1,3; 2Sm 11.2).
3. Olhar só o presente (tempo) – (Gn 13.10; 2Tm 4.10).
4. Ouvir os maus conselhos – (1Rs 12.10; Sl 1.1).
5. Influencia das más companhias – (1Co 15.33; Sl 1.1; Am 3.3).
6. Desinteresse pelas coisas sérias e importantes – (Mt 19.22; Ao 20.9).
7. Desprezar a direção de Deus – (1Sm 8.7; Jn 1.2; Pv 11.14).
IV. OS RESULTADOS DE UMA ESCOLHA CARNAL. Gn 13.11.
A escolha é a coisa mais importante na vida do cristão, que pode decidir o seu futuro. E se essa escolha não for pela fé e fora do plano de Deus, o destino será incerto e desastroso. A escolha carnal traz sempre dissabores, perplexidades e angústias, tais como:
a) Escolha de mulheres formosas fora da vontade de Deus (Gn 6.2),
b) Escolha do “maná” fora do plano de Deus (Êx 16.17-20),
c) Escolha do caminho da valentia e de incredulidade de Caim (Jd 11)
d) Escolha de companheiros rebeldes e murmuradores (Nm 16.1,2),
e) Escolha de companheiros inaptos para o trabalho e conselheiros (1 Rs 12.8).
São algumas das escolhas feitas para um fim terrível. Ló foi infeliz na e  scolha, embora aparentemente boa, pois Sodoma estava marcada para juízo por causa dos grandes pecados cometidos. Melquisedeque, homem justo e bom Rei, acima de tudo, Sacerdote do Deus Altíssimo, por certo lhes deu conselhos como morador de Jerusalém, mas não deram ouvidos. Compare Gn 14.18. Cremos que houve mensagens de Deus para eles, mas não aceitaram como diz Paulo em Rm 1.24,26, 28.
1. Tristezas profundas – (Mt 26.69-75).
2. Desespero de morte – (Mt 26.15; 27.4,5).
3. Famílias destruídas – (Lc 17.26; Mt 19.8).
4. Tribulações à Igreja – (1Co 1.11,12).
5. Reis e magistrados perdem sua glória – (1Rs 11.4,11; At 12.23).
6. Incredulidade e perdição – (Mt 6.6; Ap 21.8).
7. Maldição e insegurança – (Jr 17.5; 27.15).
V. LÓ ESCOLHEU A CIDADE DAS PLANÍCIES. Gn 13.12.
1. Lendo com atenção o texto bíblico, notamos que Ló “foi armando sua tenda até chegar à cidade de Sodoma…”.
Eis aqui um grande perigo. Eis um conselho dum velho obreiro: “Não ameis o mundo nem o que no mundo há”, (1Jo 2.15). As comunidades da cidade, os passatempos, as festividades, as praças e os clubes, são atrações tentadoras.
2. Ló com sua família estavam em perigos também. A principio moravam em tendas, depois passou a morar numa boa casa dentro da cidade. Era um dos que assentava como juiz à porta (Gn 19.1-3).
3. Aqui está o perigo para muitos junto das autoridades, ocupando lugar de “chefes” no seio da sociedade, (Mt 20.25,26). Estar na porta duma cidade era exercer juízo e conselho como um dos anciãos da cidade. Compare Gn 19.9. Sodoma apesar de ser um ótimo lugar e uma boa cidade com todas as comunidades os seus moradores eram grandes pecadores (Gn 13.13).
VI. LÓ ESCOLHEU UM LUGAR CONDENADO – Gn 13.13.
1. A sorte das cidades das campinas já estava lançada, seus crimes pecaminosos haviam chegado diante de Deus que por misericórdia estava tolerando. Pedro relata que o justo Ló era atribulado no meio deles (2Pe 2.8).
2. Segundo nos parece houve pregadores que falaram da justiça de Deus e aconselharam o povo a não cometer tais pecados, cujo clamor subiu até os céus (Gn 18.20,21; 19.14). O apóstolo Paulo aos Romanos 1.24-28 declarou parte do estado em que Sodoma estava envolvida.
3. O crente deve ter cuidado quando escolhe um lugar para morar, pedindo sempre a bênção e a direção do Senhor.
VII. A ESCOLHA PELA FÉ E SEUS RESULTADOS. Gn 13.14.
Agora, após a escolha de Ló, Abraão entrou no plano de Deus. Deixou os parentes (Gn 12.1). Abraão não escolheu um local, mas o próprio Deus. Essa é a terceira vez que o Senhor lhe aparece e revela o seu futuro: Levanta os olhos. Deus deu sem limite as bênçãos, para o Norte e para o Sul, para o Oriente e para o Ocidente
1. O caminho da simplicidade – (Mt 5.3; Sl 116.6).
2. O caminho da minoria – (Jz 7.7).
3. Completa renúncia do EU.  – (Lc 14.33; Gl 2.20).
4. Sem interesse próprio – (1Pe 5.3; 4.11).
5. Confiança na direção de Deus – (Gn 12.4; Is 6.8).
6. Não se iludir com falsas aparências – (1 Sm 10.23; 16.7).
7. Sempre vendo o futuro – (Sl 126.6; 1 Tm 6.19).
Conclusão: – O nosso estudo nos induz à compreensão de novas verdades espirituais. Saber escolher sempre tem sido um desafio ao homem, dotado de livre arbítrio que foi desde o princípio. Grandes escolhas produzem grandes resultados. Sábias escolhas produzem frutos sábios. No livro de Rute temos um exemplo singular de escolha. Como resultado, temos a própria ascendência humana do Messias maravilhosamente confirmada.
Quando aceitamos a Cristo, fizemos nossa mais sublime escolha, nossa mais perfeita opção. Os israelitas sofreram gravíssimos prejuízos, por causa de escolhas sem fé e sem sabedoria.
A Igreja em Mutuá, na certeza de estar cumprindo a ordem de Jesus, dentro de suas possibilidades tem escolhido enviar alguns para o campo missionário, como resultado da visão mundial da Obra de Deus. Não poderia alguém escolher melhor. Cumpre-nos, agora, confirmar a escolha que fizemos, envidando esforços, contribuindo para manter os que enviamos ao campo.
Oremos sem cessar, ajudando sem restrições, atendendo sempre o imperativo do Mestre Amado, o motivador de nossa escolha. Todas as escolhas sábias conduzem a resultados maravilhosos como acabamos de estudar. Com a vinda de Jesus, veremos o resultado de nossa boa escolha.

O ESTRATAGEMA DOS GIBEONITAS

“Então os filhos de Israel... não pediram conselho ao Senhor”: O ESTRATAGEMA DOS GIBEONITAS


Um estudo em Josué 9.1-27

INTRODUÇÃO: Quando Deus ordenou ao povo de Israel que ocupasse a terra de Canaã prometida aos patriarcas sob juramento do próprio Deus, ordenou também a forma como deveriam lidar com os cananeus. Eles deveriam ser destruídos. Mas o texto que acabamos de ler nos fala de um estratagema astucioso que levou Israel a tomar uma decisão precipitada e assim não cumprir a ordem dada pelo Senhor. Astuciosamente, os gibeonitas enganaram Josué com fingimento e falsidade. Josué fez aliança com o inimigo pensando estar tomando uma decisão sábia. A situação parecia tão óbvia que ele nem chegou a consultar a Deus. Há muitos líderes e igrejas fazendo aliança com satanás por causa as sutileza do engano e da malícia. Os desejos perversos do coração e a fala de temor e tremor por parte de muitos têm levado muitos evangélicos a viver uma perigosa aliança de conformidade com o mundo.
I. A PROPOSTA E A CILADA – v. 6
Os gibeonitas propuseram a Josué uma aliança imediata e urgente. Mas quem eram os gibeonitas? Aliados ou inimigos? Eles faziam parte dos povos que precisavam ser desalojados da terra prometida. .Deus ordenara a Josué claramente: “Abstém-te de fazer aliança com os moradores da terra para onde vais; para que te não sejam por cilada” (Ex 34.12). As razões porque a aliança com os povos vizinhos era uma cilada para Israel:
a) Haveria casamentos mistos, algo condenado por Deus, Dt 7.3. O casamento misto foi uma das estratégias mais sutis usadas para derrotar o povo de Deus. O dilúvio varreu a terra porque a terra corrompeu-se quando os filhos de Deus se casaram com as filhas dos homens. Israel se misturou com as nações idólatras e através de casamentos mistos e acabou adorando deuses estranhos. A associação com incrédulos é algo que Deus condena,Am 3.3,2Co 6.14-16.São inúmeros os casos de pessoas que hoje estão desviadas porque se casaram com pessoas descrentes.
b) Haveria indução à apostasia e ao ecumenismo, Dt 7.3. A aliança com os povos vizinhos levou Israel muitas vezes a servir a outros deuses. Muitos abandonam sua fidelidade a Deus, deixam de frequentar a igreja, esfriam-se na fé e perdem a comunhão com Deus por causa de determinadas alianças firmadas. O ecumenismo e a mistura com o mundo ainda hoje um dos perigos mais graves que a igreja enfrenta. Não há unidade fora da verdade. Não há salvação fora de Cristo. O mundo está dentro da Igreja e práticas mundanas estão tendo lugar dentro do santuário.
c) Haveria sofrimento e perturbação, Nm 33.55,56. Uma aliança conjugal, comercial, empresarial, espiritual fora da vontade de Deus traz desconforto e perturbação. Israel sofreu por causa dessas alianças.
d) Levaria Israel própria destruição por causa do juízo de Deus, Dt 7.4. A desobediência tem um preço alto. Ela provoca a ira de Deus e produz derrota e destruição. O povo de Israel sofreu e precisou ser arrancado da sua terra e lançado num cativeiro doloroso para abandonar suas alianças espúrias e desvencilhar-se da idolatria dos outros povos.

II. A ESTRATÉGIA MALIGNA PARA FAZER UMA ALIANÇA PROIBIDA
Os povos de Canaã, os mais numerosos e poderosos que estavam no caminho de Israel lutaram e resistiram a Josué e o povo de Deus com armas de guerra (Js 9.1,2), mas os Gibeonitas usaram outras armas muito mais perigosas em seus efeitos destrutivos: a dissimulação, o engano, a mentira, a pressão, a astúcia Js 9.3-13.
a) A dissimulação, v. 4,5. Dissimular ou fingir é ser uma coisa e parecer outra. É ser uma pessoa e demonstrar outra. É aparentar uma coisa e ser outra. Os gibeonitas foram atores. Demonstraram um papel, mas estavam enganando. Satanás disfarçou-se de serpente para tentar Eva no Éden. Ele veio com palavras doces, com promessas sedutoras, oferecendo vantagens extraordinárias. O diabo é um embusteiro. Ele promete vida e paga com a morte. O pecado é uma fraude.
b) A mentira, v. 6. Uma das armas do inimigo é a mentira. O diabo enganou Eva no Éden com uma mentira: “É assim, que Deus disse? É certo que não morrereis”. Onde a verdade é sacrificada, a aliança torna-se espúria. O diabo é o pai da mentira. Quem se envolve com mentira põe o pé numa estrada de vergonha, de opróbrio, de escravidão e morte.
c) A pressão, v. 6. A pressa é um grande perigo quando se trata de fazer uma aliança. A impaciência é um caminho arriscado. Os gibeonitas tinham pressa. Eles não queriam dar tempo para Josué investigar a verdade. Josué caiu na cilada ao firmar com os gibeonitas uma aliança sem tempo para investigar, sem tempo para consultar ao Senhor. Muitos ainda agem precipitadamente hoje em seus negócios, em seus investimentos, no namoro e até mesmo no casamento.
d) A astúcia, v.3, 7, 8,9. Quando os gibeonitas perceberam que os homens de Israel estavam lhes desmascarando, se voltaram para Josué para conversar só com ele, o líder e o induziram a agir sem o consenso.Os gibeonitas relataram os grandes feitos de Deus no Egito, e aos dois reis amorreus que Moisés derrotara, mas não fizeram menção de Jericó e Ai, para dar a ideia que de fato vinham de muito longe.Cuidado com o engano do pecado. Devemos ter muito cuidado com os argumentos de satanás e seus demônios.
e) As respostas evasivas e a aparência de piedade, v. 8-13, À primeira pergunta, eles não responderam. À segunda pergunta, eles mentiram. Eles tergiversaram, desconversaram, ludibriaram. As coisas de Deus são claras, são íntegras. Onde as pessoas precisam desconversar esconder, tapear fica evidentemente que Deus não está presente. Josué deu valor ao que eles disseram sem consultar a Deus. Usaram o nome de Deus, sem estar interessados nele. Somos facilmente enganados quando as pessoas vêm usando o nome de Deus. Muitos homens e mulheres quando querem conseguiram alguma coisa dentro da Igreja (cargos e pessoas) se interessam pelas coisas de Deus, frequentam a igreja e até leem a Bíblia. Mas depois que conseguem o que queriam, revelam seu total desinteresse pelas coisas de Deus.

III.  FAZER UMA ALIANÇA SEM CONSULTAR A DEUS NAS COISAS QUE PARECEM ÓBVIAS É MUITO PERIGOSO– V. 14,15.
Deus sempre precisa estar presente em todas as nossas decisões. Josué  errou quando não considerou que não existe distinção entre coisas importantes que carecem de oração e coisas insignificantes, óbvias que não precisa consultar a Deus. A nossa lógica e bom senso levam-nos facilmente para o mau caminho, quando deixamos de depender de Deus. A sabedoria humana é fraca e se deixa levar por aquilo que é aparente ou pelas conveniências humanas. Há sempre o perigo da autoconfiança: “O que confia no seu próprio coração é insensato” (Pv 28.26).
Gibeão quer dizer pequeno monte e nos alerta contra as pequenas coisas que nos impedem de andar com Deus. Sansão, o homem mais forte do VT foi vencido por uma mulher cujo nome significa fraqueza (Dalila). As pequenas coisas podem nos impedir de viver uma vida cristã normal. Josué fez aliança com os gibeonitas de poupar-lhes a vida sem consultar a Deus. Ficou preso a uma aliança que jamais deveria ter feito. Sofreu sem poder tirar o jugo de sobre si e do seu povo.

IV. UMA ALIANÇA PRECIPITADA TRAZ SÉRIAS CONSEQUENCIAS
Quantas sociedades que jamais deveriam ter sido firmadas! Quantos acordos que jamais deveriam ter sido assinados! Quantos namoros que jamais deveriam ter começado! Quantos casamentos que jamais deveriam ter sido consumados! Muitos buscam a saída do divórcio, dizendo: “Meu casamento acabou porque não foi Deus quem me uniu”. Se você não leva a sério a aliança que você fez, Deus leva Ml 2.13,14. A aliança precipitada:
a) Causa descontentamento e murmuração no meio do povo de Deus – v. 18. Decisões precipitadas acarretam amargas consequências. Alianças irrefletidas fazem o povo sofrer. Quando a liderança age sem oração, há um descontentamento no meio do povo. Josué e os príncipes da congregação fizeram uma aliança com os gibeonitas sem consultar a Deus e tomaram a decisão errada e agora o povo está sofrendo as consequências e murmurando.
b) O povo de Deus não deve se envolver com lutas a favor daqueles contra quem deviam lutar – Js 10.6,7. Josué está travando uma batalha que não era sua. Está drenando suas energias num trabalho que não era seu. Eles estão pagando o preço de terem feito uma decisão apressada, uma aliança irrefletida. Eles estão defendendo quem precisariam desalojar daquela terra.
c) O povo de Deus é açoitado com a ira divina quando viola a aliança feita, mesmo que irrefletidamente – v. 20. A quebra de uma aliança é algo que Deus reprova. É melhor não fazer um voto do que votar e não cumprir. Josué e o povo ficaram presos a uma aliança que não deveriam ter feito. Tornaram-se obrigados a defender quem deveriam atacar. Ficaram ligados com quem não deveriam ter relações. A quebra daquela aliança era agora uma atitude mais condenável aos olhos de Deus do que o estabelecimento da própria aliança. O rompimento da aliança implicava na manifestação da própria ira de Deus.
d) O tempo não anula as alianças que fazemos, mesmo quando não consultamos o Senhor – 2 Sm 21.1-14. Muitos séculos depois da aliança firmada por Josué, o rei Saul matou os gibeonitas e nos dias do rei Davi houve fome de três anos consecutivos por causa da quebra dessa aliança, 2Sm 21.1,2.Com a quebra dessa aliança: Em primeiro lugar, três anos de fome e em segundo lugar, sete filhos do rei Saul enforcados. Só então, a ira de Deus se apartou de Israel.

CONCLUSÃO: Tenha cuidado com as alianças que você faz, com aquilo que você promete. Não entre numa aliança seja sentimental, seja conjugal, seja comercial, seja profissional sem antes avaliar profundamente as implicações. Há pactos que jamais deveriam ter sido feitos. Há casamentos que jamais deveriam ter acontecido. Há parcerias que jamais deveriam ser travadas. Há sociedades que jamais deveriam ter sido estabelecidas. Quando fazemos alianças perigosas e precipitadas, podemos entrar em aliança com o próprio inimigo. Quantas pessoas presas a situações embaraçosas porque não tiveram paciência de esperar, de analisar a situação mais detidamente. Quantas pessoas se desgastam e sofrem grandes prejuízos porque não consultaram a Deus para fazer sociedades, alianças e acordos. Cumpra suas promessas, quando você as fizer. Nossas decisões hoje afetarão as futuras gerações, para o bem ou para o mal. Cuidado com os votos tolos. Quando você fizer uma promessa, cumpre-a. O justo é aquele que jura com dano próprio e não se retrata. O Senhor nos guarde dos estratagemas de satanás.

Não deis aos cães o que é santo

Não deis aos cães o que é santo - Mt 7:6

 Mateus 7:1-12
1 Não julgueis, para que não sejais julgados.2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.3 Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.6 Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.8 Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.9 Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra?10 Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra?11 Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?12 Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.
Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.
“Se vocês derem aos cães o que é santo, se vocês derem suas pérolas aos porcos, eles irão pisar em cima, e depois se voltarão contra vocês”.
É fácil perceber que “cães e porcos” são metáforas que se referem a pessoas especialmente difíceis, que além de não aceitar as coisas do Senhor, ainda se voltam contra os que tentam lhes dar os bons tesouros de Deus. “Se você estiver diante de uma pessoa assim”, diz Jesus, “não adianta dar suas pérolas a ela”; ou melhor, “este tipo de gente pode causar danos a vocês”.
São palavras de Jesus, nosso Senhor e Deus. Palavras de Verdade, daquele que tem zelo pelo bem-estar de nossas almas, e por causa disto não podem ser passadas por cima, sem que prestemos a elas a devida atenção. Então hoje vamos nos dedicar a meditar em seu significado. Há três observações que desejo fazer
1. Primeiro, consideremos que as palavras de Jesus podem nos surpreender, nos deixar espantados
“Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas”.
Existem algumas pessoas a quem Jesus descreve como cães e porcos. Há muitas coisas nestas palavras do Senhor que nos deixam espantados.  Digo isto para vergonha nossa, pois não deveríamos ficar surpresos. Mas porque podemos estranhar?
1.1 - É que em nossos dias temos um conhecimento tão limitado de Jesus, pensamentos tão humanistas, isto é, mundanos, a respeito do Senhor, que muitas vezes o vemos mais como uma pessoa condescendente e fraca, uma imagem serena e impassível, como uma “estátua sentada em posição de lótus”, e não como o Santo Filho de Deus, que se ira diante do pecador obstinado.
Uma das coisas que nos surpreendem é Jesus, a encarnação do Deus de amor, chamando algumas pessoas de “cães e porcos”. Pois a nós parece que se Deus é amor isto significa que ele não deve se opor a ninguém, não deve confrontar o erro, mas deixar que cada um, em seu livre arbítrio, faça o que quiser. Um Deus que não intervém nos negócios humanos até que o homem resolva dar a ele a oportunidade de manifestar o seu amor.
Mas Jesus não é assim. É um Deus de iniciativa. Que age. Que vem ao mundo em busca de suas ovelhas. Que dá a sua vida por elas. Mas que também detesta o mal. Ele detesta o mal, e quando as pessoas persistem no mal, ele não hesita em classificá-las sob adjetivos que descrevem a sua maldade (e não nos enganemos, estes adjetivos indicam que haverá julgamento sobre elas – Apocalipse, por exemplo, diz que na Nova Jerusalém os cães ficarão de fora).
E este não é o único lugar nos Evangelhos em que o vemos usar esta espécie de tratamento a certa classe de pessoas:
Lc 13:31-33
31 Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te. 32 Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. 33 Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém.
A resposta dada por Jesus é de uma importância muito grande: os fariseus disseram que ele deveria fugir, porque Herodes queria matá-lo. Mas Jesus diz que continuaria a fazer tudo o que estava fazendo, e que sua obra só estaria terminada no terceiro dia.
Para os que leem Evangelho, esta é uma referência óbvia à ressurreição de Jesus, que aconteceria no terceiro dia depois de sua morte pelos nossos pecados. Ele iria morrer, mas não porque Herodes desejava matá-lo; iria morrer porque ele mesmo daria a sua vida. Então, por sua própria deliberação, caminharia até Jerusalém, mas não fugindo de Herodes, pois seria lá que ele deveria morrer e no terceiro dia terminar a sua obra, isto é, ressuscitar.
Mas no contexto de nossa mensagem de hoje, eu quero destacar a maneira como Jesus se refere ao rei Herodes: “raposa”.
A raposa era um animal bem conhecido dos judeus, criadores de ovelhas: um predador, que ataca as ovelhas. Assim Herodes Antipas, descendente de edomitas, inimigos de Israel, usurpador dos direitos da família de Davi, que já havia matado João Batista, era predador astuto, uma raposa, um animal que queria matar a Jesus.
Agora, Mt 12:34
Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração.
Uma tradução melhor é “como poderíeis falar coisas boas, sendo maus”? Pois que os fariseus estavam dizendo que Jesus expulsava demônios pelo poder de Satanás. Isto é, suas palavras a respeito de Jesus eram maldosas, cheias de peçonha.  E a boca deles dizia coisas venenosas porque o coração deles era cheio de veneno.Por isto, na opinião de Jesus, eles eram “raça de víboras”. E assim também, na opinião de Jesus, existem pessoas que são como “cães e porcos”.
1.2 - Outra coisa que nos surpreende é que Jesus diz estas coisas logo depois de nos instruir no sentido de que não devemos julgar as outras pessoas; não podemos ser juízes, condenadores do nosso próximo, não podemos destruir o nosso próximo com nossas palavras.
E ainda antes ele já havia também falado que não devemos dirigir aos nossos irmãos palavras de ofensa: não podemos chama-los “raca”, ou tolos.  Então temos a tendência de pensar que qualquer discernimento crítico em relação aos que vivem no erro seja pecado.
Mas aqui, lemos que existem certas pessoas a respeito das quais precisamos ter o a mesma visão de Jesus. Pois doutra forma, como poderíamos saber o que fazer diante delas? Isto quer dizer que, embora não sejamos Deus, não julguemos, e não condenemos estas pessoas, devemos ter a percepção que nos leve a não partilhar com elas certos tesouros. Há pessoas com quem não devemos compartilhar nossos tesouros, pois são pessoas portadoras de alto poder de destruição espiritual.
Como diz o livro de Provérbios: Não repreendas o escarnecedor, para que te não odeie; repreende o sábio, e ele te amará” (Pv 9:8).
 1.3 – Também nos surpreende que alguns versículos depois, ao nos ensinar sobre oração, Jesus nos diz que somos maus, isto é, somos pecadores (v. 11), mas a nós, ainda que sejamos pecadores, Jesus nos coloca no lugar oposto àqueles que ele chama de “cães e porcos”.
Digo que é surpreendente a graça de Deus para conosco. Pois diante de sua santidade, as nossas melhores obras são como um pano sujo. Mas a palavra que ele usa para descrever os que creem na sua palavra não é “cães”, nem “porcos”, nem “raposas”, nem “raça de víboras”.
Àqueles que o ouvem, ele chama “minhas ovelhas”.
Jo 10:26-28
26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.
E isto nos ajuda a entender, pelo menos em parte, porque Jesus usa palavras fortes para com aos que procuram nos ferir: somos ovelhas dele. Somos pessoas que o amam e o seguem. Ele nos ama e não permite que nos façam mal.
“Das minhas mãos e das mãos de meu Pai ninguém irá tirar as minhas ovelhas”.
2. Em segundo lugar, consideremos a quem Jesus chama de cães e porcos
O que significa isso? Que atitudes numa pessoa o levam a considerá-la assim?
Para os judeus, tanto os cães como os porcos eram animais imundos. Os judeus não os tinham como animais de estimação. Pensava-se que os porcos eram animais que gostavam de sujeira. E os cães eram vira-latas que perambulavam pelas ruas, procurando comida no lixo, e se tornavam agressivos com as pessoas que se aproximavam, além de ser agressivos uns com os outros.
Contrariando o ensino da lei que ordenava amar os estrangeiros, os judeus consideravam os gentios como pessoas indignas, e costumavam chamá-los de cães. Mas certamente Jesus não partilhava deste sentimento. Ele amou ao mundo inteiro, e ordenou que o Evangelho fosse pregado a todas as nações.
Então, a que tipo de pessoas Jesus estava se referindo? Me parece que o próprio versículo nos ajuda a entender: cães e porcos são aqueles que, quando recebem as coisas santas, os tesouros do céu, se voltam contra aqueles que os estão dando. Porcos e cães são aqueles que não somente rejeitam, ou não aceitam as coisas de Deus, mas que reagem com escárnio e agressividade.
No Novo Testamento nós temos pelo menos três situações nas quais algumas pessoas reagem assim:
2.1 – Aqueles que rejeitam e lutam contra o Evangelho logo de início
Leiamos Mateus 10, quando Jesus ordena os discípulos a irem de dois em dois pregando o Evangelho
Mt 10:14, 15
 14 Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés.15 Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.
Em Atos 13, quando Paulo está no sul da Europa, em Antioquia da Psídia.
At 13:44-46
44 No sábado seguinte, afluiu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus.45 Mas os judeus, vendo as multidões, tomaram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava.46 Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios.
Em Atos 18, quando Paulo e seus companheiros estão em Corinto
At 18:5, 6
5 Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus.6Opondo-se eles e blasfemando, sacudiu Paulo as vestes e disse-lhes: Sobre a vossa cabeça, o vosso sangue! Eu dele estou limpo e, desde agora, vou para os gentios.
Mas agora vejamos dois textos em que certas pessoas são especificamente chamadas de cães, e aqui já se fala num contexto de cristandade.
2.2 – Pessoas que, tendo aderido à religião cristã, tornam-se joio, ervas daninhas entre o trigo de Deus.
2ª Pe 2:17-22
17 Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas; 18 porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro,19 prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor.20 Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro. 21Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado.22 Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal.
Você já viu um cachorro lambendo o próprio vômito? É uma coisa nojenta, mas que acontece. Agora imagine você ir ao chiqueiro, tirar um porco de lá, dar um banho nele, e o porco voltar para o chiqueiro.
Nestes versículos Pedro descreve pessoas que em certa medida experimentaram, ao menos aparentemente, externamente, certas mudanças em suas vidas, depois que conheceram o Evangelho. Escaparam das contaminações deste mundo. Mas que interiormente não foram transformadas. Por dentro continuaram sendo o que eram antes, continuam a amar o mundo, e então voltam a viver como quem não conhece a Cristo.
Voltam para as coisas do mundo, para as paixões da carne.Estas pessoas, ele diz, não fazem mal só para si mesmas, mas também se tornam um laço para aqueles que estavam prestes a fugir do erro. O estado destas pessoas, diz Pedro, se torna pior do que quando não haviam conhecido ao caminho de Deus. São como cães voltando próprio vômito. Como porcos voltando ao chiqueiro.
Fp 3:2, 3
2 Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! 3 Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.
Aqui Paulo está se referindo aos judaizantes. Pessoas que distorciam a boa Palavra de Deus, em favor de seus próprios conceitos de salvação baseada em obras humanas, e que com isto desviavam as pessoas do verdadeiro Evangelho de Jesus.
O que são cães, então? São aqueles que, tendo recebido os tesouros da Palavra de Deus, pisam em cima deles, como se fossem coisas sem valor, desprezíveis. Cães são aqueles que, ouvindo o Evangelho, se enfurecem, se opõem, blasfemam, zombam, fazem guerra contra aqueles que o anunciam. São os que vociferam contra o bom nome do Senhor, que chamam os crentes de ignorantes e pregam que a incredulidade é que é inteligente. Cães também são aqueles que, tendo recebido o Evangelho da salvação, mesmo estando dentro da igreja, voltam a viver como animais movidos por suas paixões carnais, pela vaidade, pela libertinagem, e levam outros que estão no caminho da verdade a voltarem ao pecado. São também os maus obreiros, aqueles que pisam o Evangelho ensinando falsas doutrinas, e assim dilaceram as almas daqueles que têm boa vontade, mas não discernimento.
Este tipo de pessoa, agressiva, influente, venenosa, deve ser evitado. Se você der suas pérolas a eles, eles se voltarão contra você.
Por isto temos a advertência de Jesus, no sentido de “não dar aos cães ao que é santo”...
3. Em terceiro lugar, consideremos o que significa dar aos cães o que é santo; o que é dar pérolas aos porcos
Há dois aspectos que desejo destacar:
1º - Jesus nos diz que somos portadores de coisas santas; detentores de tesouros espirituais.
Em Mateus 13 Jesus compara o reino de Deus a uma pérola de grande valor, mais valiosa que todos os tesouros deste mundo. Em 2ª Co 4, o apóstolo Paulo, referindo-se à nossa fragilidade como seres humanos, diz que nós, os que temos o Evangelho em nosso coração e em nossos lábios, temos este grande tesouro em vasos de barro. E em todo o sermão do monte Jesus está nos dizendo que tipo de caráter devemos desenvolver, qual deve ser o nosso modo de vida, as coisas às quais devemos dar valor.
Em outras palavras, o crente, o homem em cuja alma habita o Espírito Santo, cujo coração almeja as coisas do céu, que está neste mundo caminhando para o céu, e que enquanto está aqui tem a missão de trazer o reino do céu à terra, este homem é um portador e um despenseiro de coisas santas, de tesouros celestiais.
Isto é, as coisas de Deus, ele não as tem apenas para si mesmo: ele deve compartilhar. Então ele partilha através de seus dons espirituais, através de sua amizade, através de seus bens materiais, inclusive dinheiro, através de seu tempo, através de seu serviço, através de boas obras. O crente é um despenseiro dos tesouros do reino de Deus. Coisas preciosas demais aos olhos de Deus, coisas preciosas demais para a sua própria alma, e coisas preciosas demais para o mundo.
2º - Porém, nem todas as pessoas são dignas de receber as coisas do céu. Ou colocando de outro modo: nem todas estão aptas.
Há daqueles que se revoltam, que agridem, que zombam, que pisam as coisas sagradas. Há daqueles que fazem de tudo para que os crentes abandonem os caminhos do Senhor. Há daqueles que se aproveitam da boa vontade dos crentes e os exploram.
Alguns o fazem de modo sutil, através de doutrinas erradas. Outros mais agressivamente, em franca oposição.
Me lembro de certa ocasiões, quando eu eram recém convertido, em que várias vezes me vi perturbado por doutrinas falsas, e com muita agressividade daqueles que as diziam.
Noutros contextos, através de falsas filosofias, como o marxismo, o existencialismo, através daquilo que falsamente nos é apresentado como ciência.
Noutros casos ainda, até mesmo pessoas simples, fazem de tudo para que não participemos da igreja. Parece uma coisa inocente alguém nos convidando a coisas que nos afastam da igreja, mas irmãos, o não participar da igreja é uma das coisas mais destrutivas para a nossa alma, que nos afasta da adoração a Deus, pois nos faz esfriar na fé e no amor.
Conclusão
O cristão, meus irmãos, não é uma pessoa caracterizada pelo medo e pelo negativismo. Não é uma pessoa convidada a se isolar do mundo. Ao contrário. Jesus nos chama para ser sal da terra e luz do mundo.
A ênfase que Jesus apresenta da vida do crente, em todo o sermão do monte, é altamente positiva: amar, repartir, influenciar, fazer o bem. Viver em comunhão com Deus e amor pela vida, amor pela humanidade. Felicidade. Tesouros no céu. Serenidade. Sem stress, sem ansiedade. “Curtir” a salvação.
Mas parte desta vida abundante envolve o tomar cuidado para que Satanás não se utilize de nosso sentimento de segurança para nos destruir. Então, como nosso bom pastor, Jesus nos instrui para que estejamos alertas.
Aplicação
Qual deve ser o nosso procedimento em relação aos que ele chama de cães e porcos?
No contexto anterior Jesus já começou a nos dizer; então...
1º - Não devemos condenar. Não devemos desejar a destruição destas pessoas.
Certa ocasião, quando Jesus e os discípulos estavam passando por Samaria, os samaritanos não os quiseram receber. Então Tiago e João perguntaram: “O Senhor quer que nós ordenemos que chova fogo do céu e acabe com estes pecadores”? (Crentes, esses discípulos, não?) Mas Jesus respondeu: “Vocês ainda não entenderam o Espírito de Deus. Eu não vim destruir, vim salvar as almas dos homens”.
E também, considerando que no v. 11 Jesus nos diz que nós também somos maus, não devemos nos considerar superiores. Devemos entender que, se somos ovelhas de Jesus, é somente por causa da graça de Deus agindo em nossa vida. Talvez seja por isto que logo em seguida Jesus nos leve à oração, e nos ensine que devemos tratar o nosso próximo da mesma maneira como desejamos ser tratados.
2º - Mas em segundo lugar, Jesus nos diz que devemos ter discernimento, e nos afastar daqueles que zombam da Palavra, daqueles que pisam as doutrinas da Bíblia, negando-as ou distorcendo-as, pois eles podem nos ferir e fazer mal.
Não deis as coisas santas aos cães. Não lanceis vossas pérolas aos porcos.
Nós somos portadores de coisas santas. Somos possuidores de pérolas de grande valor. Somos despenseiros das inescrutáveis riquezas de Deus. Temos a tarefa de dispensar as bênçãos do Evangelho, seja por nossa pregação, seja pelo nosso testemunho, seja através dos nossos dons, seja através dos nossos bens.
Temos um grande tesouro, mas este tesouro está contido em frágeis vasos de barro. Então, se alguém quer atacar a nossa fé, se alguém busca nos engodar, para que deixemos de fazer o que Deus deseja, não permitamos que isto aconteça. Não fiquemos nos expondo a situações que nos façam mal.
3º - Em terceiro lugar, devemos orar para que Deus nos dê discernimento, forças, e também orar pelos que não conhecem a Deus.
Abençoar os que nos fazem mal. Abençoar, e não amaldiçoar. Abençoar orando. Abençoar perdoando. Abençoar fazendo o bem.

Simplesmente oremos, entreguemos tudo nas mãos do Senhor, confiemos nele. À luz do que temos considerado hoje, Paulo, antes de ser uma ovelha de Jesus, era um cão feroz. Perseguia os crentes. Blasfemava do caminho. Mas um dia Estevão orou por ele, não foi? E Paulo foi transformado, não foi? Pois a graça tem o poder de transformar água em vinho. Porque não poderia transformar porcos em ovelhas?