quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Salvação: o que é e para que serve?

Salvação: o que é e para que serve?

Texto básico: Efésios 2.1-10

Introdução

 Embora esse seja um dos temas centrais de toda a Bíblia, vários cristãos têm muitas dúvidas sobre o assunto. No intuito de apresentar com fidelidade e clareza o ensino bíblico sobre a obra da salvação, esmiuçamos o tema e vamos apresentá-lo detalhadamente ao longo das lições, mostrando cada um dos aspectos desta importante doutrina bíblica. Você sabe dizer o que é a salvação? Sabe como ela é adquirida? Aliás, você sabe dizer por que precisamos dela?

1. O que é a salvação?

A salvação é a maior de todas as bênçãos espirituais que o ser humano pode receber de Deus. Apesar disso, muitas pessoas não sabem o que ela é. Isso se deve, em parte, ao caráter simplório e superficial de boa parte da educação cristã ministrada em algumas denominações evangélicas e, em parte, pela ampla divulgação de algumas doutrinas massificantes que não chegam à essência da questão. Por isso, antes de vermos o que a salvação é, veremos o que ela não é. 
  1. Salvação não é a mesma coisa que filiação a uma denominação religiosa. Este é um pensamento popular muito comum. Muitas pessoas pensam que ser salvo significa perten­cer a uma igreja. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. É perfeitamente possível que uma pessoa seja membro de uma denominação religiosa por muitos anos e não tenha um rela­cionamento com Jesus baseado na graça.
  2. Salvação não é a mesma coisa que pros­peridade material. As denominações adeptas da chamada “teologia da prosperidade” falam tanto sobre a prosperidade financeira que se esquecem de anunciar o perdão de pecados e da salvação em Cristo. Assim acabam trans­mitindo a falsa noção de que Jesus morreu na cruz para nos dar boa saúde, um bom carro, uma boa casa e para salvar nosso negócio. A mensagem da cruz fica totalmente perdida em meio às questões materiais. Jesus não morreu para nos dar bênçãos materiais e sim para nos trazer a salvação. É certo que Deus nos abençoa financeira e materialmente, dando-nos o suficiente para nossa peregrinação neste mundo, mas o cerne das boas-novas não é um carro possante, mas a salvação eterna.
  3. Salvação não é a mesma coisa que par­ticipação em eventos religiosos. Este também é um pensamento comum. Muitas pessoas pensam que o fato de fazerem peregrinações e romarias é sinônimo de salvação. A ver­são evangélica mais comum deste engano é pensar que a participação em incontáveis atividades realizadas na igreja é sinônimo de salvação. Algumas atividades eclesiásticas são realmente proveitosas e edificantes. Ou­tras consistem apenas em um ativismo vazio. Salvação é um relacionamento piedoso com Deus baseado na graça mediante a fé e não em um ativismo religioso.
A esta altura, você deve estar se perguntan­do: mas afinal, o que é a salvação? Salvação é a mudança do estado de condenação em que o pecador se encontra, por causa do pecado, para o estado de bem-aventurança, para o qual é conduzido pela graça de Deus. O apóstolo Paulo menciona esta mudança de estado em sua carta aos crentes de Colossos: “Ele [Deus] nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13-14).
De acordo com a Escritura, a pessoa que não é redimida, que chamaremos de homem natural, vive em trevas espirituais e é mere­cedor da condenação de Deus por causa de seu próprio pecado (Rm 3.23; 6.23). O apóstolo Pedro menciona esta mudança de estado ao dizer que “vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). Nós éramos trevas, porém, agora, somos luz no Senhor (Ef 5.8).

2. Por que o ser humano precisa de salvação?

Outra pergunta que precisa ser respondida no início de nossos estudos sobre a salvação diz respeito à sua necessidade: por que pre­cisamos ser salvos? A resposta é simples: precisamos desesperadamente de salvação porque esta é a única maneira de termos nossa comunhão com Deus restaurada e, também, de escaparmos da condenação do inferno.
A Escritura afirma com muita clareza que todos os seres humanos são pecadores (Rm 3.23; 5.12). Portanto, todos nós somos igual­mente merecedores da retribuição correspon­dente ao pecado. De acordo com a Escritura, esta justa retribuição é a morte (Rm 6.23) no seu sentido mais profundo e abrangente: morte física, morte espiritual e morte eterna. Isso implica no total rompimento de nossa comunhão com Deus.
  1. Morte física. Desde tempos imemoriais, as pessoas nascem, crescem e morrem. Devi­do à regularidade desse processo, já devíamos estar acostumados com a morte física. No entanto, ela continua sendo motivo de tristeza e dor. Ela sempre nos abate, causando o mais profundo pesar. Isso se explica pelo fato de o ser humano ter sido criado para viver, não para morrer. A morte é uma invasora em nosso sistema, por isso sempre a vemos com estranheza e dor. O ser humano foi criado para desfrutar da vida abundante que Deus havia preparado para ele no jardim, em plena comunhão com seu Criador. O pecado, po­rém, fez com que ele se tornasse merecedor da morte, que era o castigo previsto no caso de desobediência. Pela sua misericórdia, o Senhor não tirou a vida física de Adão e Eva imediatamente depois da realização do pri­meiro pecado. Ele permitiu que aquele casal vivesse por muitos anos depois disso e visse seus filhos e netos. Contudo, no momento em que o primeiro pecado foi cometido, a morte entrou no mundo (Gn 3.1-19).
  2. Morte espiritual. Paulo começa o re­lato de nosso texto básico dizendo que “ele [Cristo] vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). O pecado provoca uma separação entre nós e Deus. Morte espiritual é exatamente isso: separação de Deus (Is 59.2). Certamente essa é a mais terrível de todas as consequências. Deus é a única fonte de toda luz, de todo bem e de toda vida. Por isso, quando nos separamos dele por causa do nosso pecado, entramos em um estado de morte espiritual. A reversão deste estado de morte para a vida que há em Cristo Jesus é o que chamamos de salvação.
  3. Morte eterna. Este é um dos ensinos bíblicos mais combatidos em nossa época. A mentalidade pós-moderna de nossos dias não suporta a ideia de um castigo eterno. No entanto, a existência do inferno é um claro ensino bíblico. A pessoa que permanece es­piritualmente morta durante toda a sua vida, isto é, o pecador que não recebe a salvação, vai para o inferno. A condenação ao inferno é o modo como a Escritura descreve a realidade além-túmulo daqueles que morrem sem se renderem ao amor e à justiça de Deus. Para descrever esta realidade terrível, a Escritura usa uma linguagem figurada, termos simbó­licos, que retratam os horrores da punição mais severa que se pode imaginar. No entanto, embora a linguagem seja figurada (ranger de dentes, lago de fogo e enxofre, etc.), o fato que ela descreve é real. O inferno é um lugar real onde os que não forem salvos estarão eternamente separados de Deus. O próprio Jesus fala sobre a realidade do inferno muitas vezes (Mt 5.22,29-30; 10.28; 11.23; 16.18; 18.9; 23.15,33).

3. A salvação é um dom de Deus

Outra pergunta que surge imediatamente quando abordamos o tema da salvação é: Como a salvação acontece? A salvação é um dom de Deus, algo que ele dá de graça. Aqui também precisamos mencionar algumas opiniões bem populares que não encontram fundamento na Bíblia.
  1. A salvação é uma recompensa que recebemos de Deus pelas boas obras que praticamos. Esta é uma opinião muito co­mum, especialmente entre os espíritas. Ela se baseia em uma ideia de mérito entre a pessoa que pratica as obras e o oferecimento da salvação. No entanto, quando Deus nos dá o que merecemos, ele nos dá a punição eterna, afinal de contas, todos nós somos pecadores. Ao nos dar a salvação, Deus não nos trata como merecedores dela, mas nos concede uma bênção à qual não temos direito. Esse é exatamente o conceito de “graça de Deus”. Paulo afirma isso ao dizer: “pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).
  2. A salvação pode ser comprada. Esta tam­bém é outra opinião muito comum. Ela se ba­seia na ideia, consciente ou não, de que quem dá a salvação não é Deus, mas uma instituição chamada igreja. Ninguém pensaria em com­prar de Deus a salvação, pois ele já tem tudo, mas comprar da igreja. Essa prática foi muito comum na Idade Média, quando vendedores de indulgências saíam pela Europa vendendo documentos eclesiásticos que supostamente asseguravam o perdão de pecados em troca de uma quantidade de dinheiro. A ideia era pagar na terra por uma bênção celestial a ser desfrutada depois da morte.
João Tetzel, um monge dominicano que se destacou como o maior vendedor de indulgên­cias da Europa, tem uma frase famosa que diz: “Assim que a moeda bate no fundo do cofre, uma alma sai do purgatório”. Esta prática de trocar dinheiro por bênçãos tem suas rami­ficações também nas igrejas evangélicas de nossos dias. Não se trata mais de pagar pelo perdão e pela salvação, mas por bênçãos terrenas. A prática é pagar aqui para que, do céu, sejam enviadas bênçãos temporais. É essa ideia que está por trás, por exemplo, das “banquinhas de oração”. O cliente/fiel paga uma quantia em dinheiro (geralmente de 5 a 10 reais) e a pessoa faz uma oração por ela e ainda anota o nome dela para orar depois, na companhia de outros membros da igreja ou dos pastores. Isto é venda de orações!
De acordo com nosso texto básico, a salvação é um dom de Deus (Ef 2.8). Ela é oferecida graciosamente, é de graça. Não podemos merecê-la com nossas obras nem pagar por ela com nossos recursos financeiros. Ela é dada graciosamente por Deus. Tudo o que precisamos fazer é aceitá-la pela fé, que também é dada por Deus.

Conclusão

A salvação é a ação de Deus que nos tira do império das trevas e nos conduz gracio­samente ao reino de seu Filho. Esta salvação oferecida graciosamente por Deus em Cristo é a única solução para o problema do pecado e o único recurso dado por Deus para que o homem não seja condenado ao inferno, mas desfrute da eterna e gloriosa comunhão com seu Senhor.

Regeneração ou novo nascimento

Regeneração ou novo nascimento

Texto básico: João 3.1-15

Introdução

O que acontece depois de sermos escolhidos em Cristo e chamados eficazmente pela pregação do evangelho e a ação do Espírito? Qual é o próximo elo na grande bênção da salvação? Como e em qual momento recebemos vida espiritual para podermos responder com fé à vocação eficaz? Regeneração e novo nascimento são a mesma coisa? Ser nascido de Deus e ser uma nova criatura são a mesma coisa? Como a regeneração acontece? O que ela tem a ver com a conversão e a santificação?

1. O ensino bíblico sobre regeneração

A Escritura mostra com clareza que apenas Deus pode realizar a transformação necessária para capacitar os seres humanos a fazerem o que é agradável aos seus olhos (Dt 30.6; Jr 31.33; Ez 36.26).
No Novo Testamento encontramos ensinos mais claros e ricos sobre a regeneração. Nenhum autor trata mais frequentemente do tema do novo nascimento do que João. Veja, por exemplo, o que é dito em João 1.12-13: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Repare que ser filho de Deus não é algo que se consegue pela descendência (“não nasceram do sangue”) nem pela decisão humana autônoma (“nem da vontade da carne”), mas exclusivamente pela ação de Deus (“de Deus”).
Para sermos filhos de Deus, precisamos ser espiritualmente gerados por ele. É verdade que “todos quantos o receberam”, isto é, todos aqueles que creem em Jesus, recebem o direito de serem filhos de Deus, mas até mesmo a fé pela qual essas pessoas creem em Jesus é um dom de Deus (Ef 2.8-9) e, portanto, faz parte da ação de Deus na salvação humana. A regeneração é uma obra totalmente divina realizada pelo Espírito no coração do pecador.
Talvez nenhum texto da Escritura ensine a soberania de Deus na regeneração humana de modo mais claro do que nosso texto básico (Jo 3.1-15). Nicodemos, um judeu importante, membro do Sinédrio, foi se encontrar com Jesus. Ele respeitava Jesus como mestre, mas ainda não havia entendido bem a verdadeira missão que Jesus tinha vindo realizar. No versículo 3, Jesus faz uma declaração que expressa o núcleo da mensagem que Nicodemos precisava compreender: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo [não for regenerado], não pode ver o reino de Deus”. Portanto, nascer de novo, é o pré-requisito fundamental para que a pessoa tenha acesso ao reino de Deus. Nicodemos não estava preparado para esta resposta. Ele era uma pessoa respeitável, um homem idôneo, era aquilo que costumamos chamar de “gente de bem”. Sendo assim, como, por que e em que sentido ele precisava nascer de novo?
Diante da dificuldade de Nicodemos em entender as suas palavras (v. 4), Jesus declara ainda com mais clareza: “Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (v. 5). A água era usada, no Antigo Testamento, para simbolizar a purificação interna. O uso mais notável deste símbolo é visto em Ezequiel, quando o Senhor anuncia a futura restauração de Israel: “Aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei” (Ez 36.25). Então Jesus está dizendo que se a pessoa não for purificada por Deus, ela não pode entrar no reino. O Espírito, por sua vez, é o agente divino que produz o novo nascimento. Portanto, Jesus está afirmando a necessidade de purificação interior e regeneração para que a pessoa possa entrar no reino de Deus.
Nesse novo nascimento, somos totalmente dependentes da ação do Espírito. Ele é soberano na regeneração. Jesus ensina: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (v. 8). A ação do Espírito na regeneração é tão soberana quanto a ação do vento, que sopra onde quer. Além disso, ela também é misteriosa, como os movimentos do vento.
Quando Jesus diz que “o que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (v. 6), ele não está usando a palavra “carne” no sentido de “natureza humana escravizada pelo pecado”, como Paulo faz frequentemente, mas no sentido de “fraqueza humana”. O sentido do texto é que aquele que tem um nascimento apenas físico continua sendo uma pessoa não regenerada, mas aquele que é nascido do Espírito se torna uma pessoa regenerada, um filho de Deus. A regeneração, portanto, provoca em nós uma mudança real: deixamos de ser simplesmente criaturas de Deus e nos tornamos filhos de Deus.
A primeira carta de João também é repleta de ensinamentos sobre a regeneração. Em 1João 2.29, ele afirma que a pessoa regenerada pratica a justiça. Isso mostra que a regeneração, embora aconteça em um dado momento no tempo, é manifestada na vida do crente pelos efeitos que ela produz. O mesmo ensino está presente em 1João 3.9: “aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado”, isto é, não tem prazer no pecado e tem aversão a ele.
A regeneração não nos torna perfeitos. Mesmo depois de regenerados, continuamos tendo que lidar com o problema do pecado, como o próprio João ensina: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos e a verdade não está em nós (1Jo 1.8). Seremos perfeitos somente quando formos glorificados. No entanto, a regeneração coloca em nosso coração uma disposição nova, uma disposição para o bem que agrada a Deus, uma disposição para a santidade, de modo que não mais servimos ao pecado como escravos. Em 1João 4.7, João afirma que a pessoa regenerada ama seus irmãos, sendo esta mais uma evidência da regeneração. Uma pessoa regenerada reconhece em outra pessoa regenerada um irmão em Cristo. Somos regenerados individualmente, mas, quando isso acontece, somos imediatamente inseridos na família cristã.
Em 1João 5.1, o apóstolo afirma que a pessoa regenerada tem fé em Jesus. Esse “em Jesus” é fundamental aqui. O regenerado não tem fé em um ídolo, não tem fé nas riquezas deste mundo, não tem fé em si mesmo. O regenerado tem fé em Jesus. João também afirma que “todo o que é nascido de Deus vence o mundo” (1Jo 5.4). Esta vitória, porém, não é alcançada pela sabedoria deste mundo, mas pela fé em Jesus.
O redimido tem aversão ao pecado e, também, é guardado por Deus e não pode ser tocado pelo diabo (1Jo 5.18). Sendo regenerados por Deus, somos também preservados por ele. Nem mesmo o diabo pode nos fazer voltar ao antigo estado de mortos espirituais e inimigos de Deus. Uma vez que recebemos de Deus a vida espiritual, ele mesmo a preservará em nós. Reconciliados com Deus em Cristo, não voltaremos ao antigo estado de hostilidade permanente contra ele. Enfim, de modo geral, na primeira carta de João aprendemos que a pessoa regenerada tem sua vida marcada pelas seguintes características: justiça, aversão ao pecado, amor aos irmãos, fé em Jesus e vitória sobre o mundo. Vimos também que o regenerado é guardado pelo próprio Deus.
Paulo também fala sobre a regeneração. Em Efésios 2.5, ele diz que “Estando nós mortos em nossos delitos, [Deus] nos deu vida juntamente com Cristo”. A regeneração, portanto, é o ato de Deus pelo qual ele dá vida espiritual a pessoas que estavam espiritualmente mortas. Mais uma vez, a regeneração é apresentada como uma mudança de estado na vida humana: da morte para a vida. Em Efésios 2.10 e 2Coríntios 5.17, ele faz a surpreendente declaração de que a regeneração é uma espécie de nova criação. Os regenerados são criados em Cristo, tornando-se, assim, novas criaturas.
Encerrando esta divisão, podemos definir a regeneração como “a obra do Espírito Santo pela qual ele inicialmente traz as pessoas à viva comunhão com Cristo, transformando seus corações para que aqueles que estão espiritualmente mortos se tornem espiritualmente vivos, habilitados a se arrependerem do pecado, crer no evangelho e servirem ao Senhor”.[1]

2. A natureza da regeneração

A regeneração é tão misteriosa quanto o vento. Não sabemos de onde vem, nem para onde vai (Jo 3.8). Além disso, não podemos observar a regeneração, podemos apenas observar a manifestação dos efeitos produzidos na vida dos eleitos de Deus. No entanto, com base no ensino bíblico, podemos fazer algumas afirmações importantes sobre a natureza da regeneração:
  1. É uma transformação instantânea. A regeneração é imediata, ao contrário da santificação, que é um processo contínuo que dura toda a vida do crente. Em Efésios 2.5, a regeneração é descrita como uma mudança da morte para a vida. Não existe meio termo entre a morte e a vida. Ou a pessoa está morta, ou está viva.
  2. É uma transformação sobrenatural que Deus realiza no crente. Repare que a regeneração não é apenas uma melhoria moral ou uma melhoria social, mas uma mudança sobrenatural. O regenerado não se torna uma “pessoa boa”, ele se torna uma nova criatura. É claro que a santificação que acompanha a regeneração tem efeitos éticos na vida do regenerado, mas a regeneração vai muito além disso. Ela não se refere somente a uma mudança de comportamento, mas a uma mudança em nosso relacionamento com Deus.
  3. É uma mudança radical, não superficial. A regeneração atinge a essência da natureza humana.
a) A regeneração é a concessão de vida espiritual. É na regeneração que o pecador morto em seus delitos torna-se espiritualmente vivo e é feita a sua reconciliação com Deus.
b) A regeneração é uma mudança que afeta a vida toda. Não se trata de uma mudança apenas intelectual, mas de uma mudança que atinge o intelecto, a vontade e as emoções. A Escritura fala que a pessoa regenerada tem um coração novo, isto é, uma vida nova.

3. A regeneração e as outras doutrinas bíblicas

Fazendo o estudo de um dos elementos da salvação pela perspectiva da ordo salutis, é muito proveitoso verificarmos a relação da regeneração com outras doutrinas bíblicas ligadas à salvação.
a) Regeneração e conversão. A regeneração resulta na conversão (fé e arrependimento). Podemos dizer que a conversão é a evidência externa de que uma pessoa foi regenerada.
Veja, por exemplo, o que a Escritura diz a respeito da conversão de Lídia: “Certa mulher chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia”. O autor do livro de Provérbios diz: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23). O coração, na Escritura, designa o centro de todas as atividades humanas. Ele é a fonte das experiências mentais e espirituais. Por isso, quando Lucas, em Atos 16.14, diz que Deus abriu o coração de Lídia, entendemos que ele está descrevendo a regeneração realizada por Deus nesta mulher para que ela entendesse o que Paulo estava dizendo e pudesse se apropriar disso pela fé.
Esta resposta do pecador ao chamado eficaz é o que chamamos de conversão. Como já foi dito quando estudamos a ordo salutis (veja lição 4), chamado eficaz, regeneração e conversão ocorrem simultaneamente. Não há um intervalo entre a concessão de cada uma destas bênçãos espirituais. Todas elas são simultaneamente concedidas pela graça de Deus na grande bênção da salvação. No entanto, pela lógica, a obra regeneradora de Deus precede a conversão, já que ninguém pode expressar fé e arrependimento se estiver espiritualmente morto.
b) Regeneração e santificação. Somos santificados imediatamente no momento em que somos salvos. No entanto, essa bênção da santificação que recebemos no momento da conversão tem de ser desenvolvida ao longo de nossa jornada cristã. Portanto, neste sentido, podemos dizer que a regeneração é o começo da santificação. A regeneração nos conduz a uma vida de progresso em santificação e obediência. Precisa ser observado que, embora a regeneração seja pessoal, os redimidos formam um corpo, a família da fé. Isso faz com que nossa regeneração tenha implicações sociais dentro do corpo de Cristo. Pedro ensina: “Amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados” (1Pe 1.22-23). O corpo de regenerados, que é a igreja, precisa desenvolver sua santificação.
c) Regeneração e batismo. O batismo não faz parte da ordo salutis. No entanto, o fato de algumas denominações, como a Igreja Católica Apostólica Romana, por exemplo, ensinarem a regeneração batismal faz com que seja oportuno verificarmos, aqui, a legitimidade desta doutrina à luz da Bíblia. A doutrina da regeneração batismal diz que a pessoa é regenerada pelo batismo. De acordo com o ensinamento católico, a bênção simbolizada no batismo é concedida ex opere operato (isto é, em virtude da ação externa), sem necessidade de qualquer ação, devoção, piedade ou fé ou qualquer outra preparação da parte daquele que o recebe.
O Concílio de Trento, ao tratar deste assunto, afirmou o seguinte: Cânone 6: “Quem quer que diga que os sacramentos da nova lei não contêm a graça que significam ou não conferem graça aos que não se lhe opõem obstáculo, como se fossem meros sinais… seja anátema”. E Cânone 8: “Se alguém disser que os sacramentos da nova lei não lhes conferem graça ex opere operato, mas que a fé somente, na promessa divina, é suficiente para se obter graça, seja anátema”. Ora, o batismo não é um meio de regeneração. Toda a obra da salvação, incluindo todos os seus elementos, é uma obra da graça de Deus. Estudaremos os sacramentos daqui a dois trimestres. No entanto, o que já foi estudado até aqui sobre a salvação nos permite afirmar com a máxima segurança que o batismo não salva ninguém e não tem nenhuma eficácia regeneradora. A salvação é sempre pela graça de Deus mediante a fé.

Conclusão

Os cristãos não são apenas pessoas boas, são pessoas novas, regeneradas, são novas criaturas em Cristo Jesus. A regeneração atinge em cheio nossa natureza humana caída e a transforma de tal modo que passamos da morte para a vida, de um estado de hostilidade contra Deus para um estado de paz com Deus. Essa transformação causada pelo novo nascimento tem implicações permanentes em toda a vida cristã, permitindo-nos receber pela fé a oferta da salvação e nos conduzindo a uma vida de santidade

Conversão – o que é e como acontece?

Conversão – o que é e como acontece?

Texto básico: Ezequiel 33.1-20

Introdução

Existe um jeito certo de se converter? É verda­de que uma conversão acompanhada de choro é mais forte que uma em que não há choro? Quantas conversões existem? É possível uma pessoa se converter mais de uma vez? Quem é o agente da conversão? É a pessoa que se converte ou é Deus quem converte a pessoa? Existe participação humana na conversão? Se existe, que participação é essa?

1. O que é conversão?

A conversão é a manifestação externa da regeneração. Não podemos ver a regeneração, mas podemos ver os efeitos que ela produz. O efeito mais notável produzido pela rege­neração é a conversão, na qual o regenerado expressa sua fé e seu arrependimento, com o consequente abandono do pecado. Em outras palavras, quando falamos em conversão esta­mos falando da vida cristã do ponto de vista de sua direção: um afastamento do pecado e uma aproximação de Deus.
A conversão pode ser definida como um ato consciente de uma pessoa regenerada, no qual ela se volta para Deus em arrependimento e fé. Observe que há dois movimentos presentes na conversão: um movimento de afastamento do pecado, caracterizado pelo arrependimento, e um movimento de aproximação de Deus, caracterizado pela fé. Podemos dizer que a conversão possui os seguintes elementos:
  1. Iluminação da mente. Por essa iluminação o pecado é conhecido como ele é na realidade: um comportamento que desagrada a Deus. Em geral, os pecados são avaliados, pela pessoa não redimida, conforme sua “malignidade social”. Pecados que causam grande dano social são considerados graves e pecados que causam pouco dano social ou que causam dano ape­nas a quem o pratica são considerados leves e, normalmente, tolerados. No entanto, essa conceituação do pecado como um mal social não se harmoniza com o ensino bíblico sobre o pecado. Mesmo quando o pecado só causa dano a quem o pratica (por exemplo, pecados ima­ginados que não chegaram a ser colocados em prática), ele continua sendo pecado e continua sendo grave, pois é uma ofensa contra Deus. Na conversão, a pessoa passa a perceber isso.
  2. Autêntica tristeza pelo pecado – não apenas remorso por causa dos seus resultados amargos. Tendo percebido a gravidade de cada um de seus pecados, a pessoa que se converte se arrepende verdadeiramente. Esse arrependi­mento diz respeito à tristeza que ela sente por ter desobedecido ao Senhor e à sua disposição de mudar sua atitude. Isso nada tem a ver com remorso. Remorso é a tristeza que sentimos quando temos que lidar com os efeitos prejudi­ciais causados por nossas ações erradas.
  3. Humilde confissão do pecado. Isso seria tanto para com Deus como em relação aos outros, que foram feridos pelo pecado. Tendo tomado consciência da gravidade de seus pecados, a pessoa que se converte logo se preocupa em pedir perdão a Deus por tê-los cometido e em pedir perdão também às pessoas que foram prejudicadas pelos seus pecados. Isso envolve a ideia de restituição pelos danos causados, sempre que isso for possível.
  4. Aversão ao pecado. Tendo percebido a gravidade do pecado, a pessoa que se converte passa a sentir aversão pelos pecados que anteriormente lhe traziam prazer e se esforça para fugir deles.
  5. Retorno a Deus como Pai gracioso. Ten­do se arrependido pelos seus pecados e procu­rado o perdão de Deus e do próximo, a pessoa que se converte busca ansiosamente refúgio em Deus, confiando que será recebida não por causa de algum suposto mérito humano, mas por causa da grandeza da graça de Deus, que em Cristo, perdoa nossos pecados.
  6. Alegria genuína pelo perdão de peca­dos. Encontrando perdão gracioso da parte de Deus, ela sente alegria plena e uma paz abundante, independente das circunstâncias que a rodeiem. 
  7. Amor genuíno a Deus e ao próximo. Como resultado do perdão de seus pecados e de sua reconciliação com Deus, a pessoa que se converte passa a amar a Deus intensamente e ao próximo como a si mesma, sentindo prazer genuíno em estar na casa do Pai e em servir a Deus e aos seus irmãos.

2. Uma obra realizada em conjunto

Pode parecer estranho a muitos cristãos a afir­mação de que a conversão é uma obra tanto de Deus quanto do ser humano. Estamos acostu­mados a ouvir que a salvação é uma obra divina. De fato, Deus é totalmente soberano em tudo, inclusive na obra de salvação. A Escritura diz que é Deus quem toma a iniciativa de salvar o pecador. Foi ele quem, na eternidade, escolheu os eleitos e, na história, entregou seu Filho para morrer na cruz em lugar dos eleitos, garantindo, assim, o perdão de pecados, a reconciliação em Cristo e a vida eterna a todos aqueles que creem em Jesus como seu Salvador. Até mesmo a fé é dada por Deus. No entanto, depois de receber a fé, é o pecador que deve crer e se apropriar pessoalmente da salvação em Cristo. Vejamos com isso acontece.
a) A conversão como obra de Deus. Em primeiro lugar, veremos a ação soberana de Deus na conversão do pecador. A conversão é a manifestação externa da regeneração, que é uma obra inteiramente realizada por Deus. É a vida espiritual concedida ao pecador na regeneração que permite que ele responda com fé à graça de Deus. Além disso, essa vida espiritual é preservada e guardada, por Deus em Cristo e só continua a existir e a produzir seus efeitos santos na vida do pecador redi­mido pela graça de Deus. Em uma palavra, é Deus quem nos dá vida espiritual e é ele quem nos sustenta. Uma vez concedida, a vida espiritual precisa ser sustentada e fortalecida pela ação do Espírito Santo. Paulo afirma: “Ponho-me de joelhos diante do Pai… para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior” Ef 3.14,16).
Como vimos na lição 3, a vida espiritual que recebemos na regeneração só pode ser pre­servada, fortalecida e desenvolvida mediante nossa comunhão com Cristo: “Eu sou a videi­ra, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Certamente esta ação soberana de Deus, concedendo e sustentando nossa salvação e nossa comunhão com Cristo, envolve nossa conversão. Tanto o arrependimento quanto a fé são dádivas santas recebidas do Senhor.
b) A conversão como obra humana. Ao contrário da regeneração, que é uma obra totalmente divina, a conversão é uma obra na qual a participação humana é importante. Tan­to no Antigo quanto no Novo Testamentos, a conversão é apresentada tanto como uma obra de Deus quanto como uma obra humana.
Observe, por exemplo, o texto de Isaías 45.22: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus e não há outro”. Quem deve olhar para que seja salvo? Sem dúvida, esse papel cabe ao ser humano. Observe também o que diz o profeta Ezequiel: “Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que havereis de morrer, ó casa de Israel?” (Ez 33.11). De acordo com este texto, quem devia se converter dos seus maus caminhos? A casa de Israel (os judeus). Portanto, esse texto coloca a responsabilidade da conversão sobre os ombros das pessoas a quem a profecia era dirigida.
No Novo Testamento, encontramos ocor­rências com conteúdo semelhante. Veja, por exemplo, o que disse o apóstolo Pedro no sermão pregado no dia de Pentecostes: “Arrependei-vos, e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espí­rito Santo” (At 2.38). Mensagem semelhante encontramos nas palavras do apóstolo Paulo ao carcereiro de Filipos: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.31).
Nessas e em muitas outras passagens, Deus nos chama à conversão, a nos voltarmos para ele, a nos arrependermos do pecado e a crermos em Jesus. Isto só pode significar uma coisa: embora a conversão seja uma obra de Deus, ela também é uma obra humana. A con­versão só acontece quando Deus nos concede vida espiritual e nos converte, mas também é preciso nos convertermos a ele. A soberania de Deus e a responsabilidade humana cami­nham lado a lado na conversão.

3. Tipos de conversão

A Escritura menciona alguns tipos diferen­tes de conversão. É oportuno examinarmos cada um deles.
a) Conversão verdadeira. Esse é o primeiro tipo. Trata-se da conversão resultante da ação regeneradora do Espírito Santo no coração do pecador. Esta conversão só pode acontecer uma vez na vida da pessoa pois, depois que acontece, o redimido é guardado por Jesus e, por isso, embora continue sendo um pecador e esteja sujeito a cometer graves pecados, jamais será afastado definitivamente da graça divina. O que foi implantado em seu coração é a divina semente e, por isso, no devido tempo, ele será conduzido novamente à comunhão com o Senhor.
Há muitos exemplos desse tipo de conver­são na Bíblia. Temos, por exemplo, o caso de Zaqueu (Lc 19.8-9), dos três mil convertidos no dia de Pentecostes (At 2.41), de Saulo (At 9.1-19), de Cornélio (At 10.44-48) e do carcereiro de Filipos (At 16.29-34)
b) Conversão nacional. A Bíblia menciona a conversão nacional como sendo uma oca­sião em que uma nação inteira se volta para o Senhor. Na maioria das vezes, o sujeito desta conversão nacional é o povo de Israel. Houve uma ocorrência dessa natureza, por exemplo, quando a liderança de Josué estava chegando ao fim e o povo prometeu abandonar os ído­los e servir ao Senhor (Js 24.14-25). Outra conversão nacional ocorreu no governo do rei Ezequias, quando o templo foi reaberto, purificado, o culto a Deus foi restabelecido e a aliança foi restaurada (2Cr 29.1-36). Um acon­tecimento semelhante ocorreu no governo do rei Josias, quando o livro da lei foi encontrado e lido perante todo o povo e a aliança com Deus foi renovada (2Rs 22.1–23.14). Entretanto, a Escritura menciona a ocorrência de conversões nacionais também fora do território de Israel. Lembre-se, por exemplo, da reação do povo de Nínive à pregação de Jonas: “Os ninivitas creram em Deus e proclamaram um jejum e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor” (Jn 3.5). Normalmente essas “conversões nacionais” têm vida curta e não promovem a conversão verdadeira de cada ha­bitante ao Senhor. O caráter passageiro destas conversões nacionais é visto com facilidade na história do próprio povo de Israel. Logo que um juiz morria, o povo se desviava; logo que um rei piedoso era substituído por um rei ímpio, o povo se desviava.
c) Conversões temporárias. A Bíblia tam­bém menciona conversões temporárias. Essas conversões não são genuínas, são apenas aparentes. É sobre este tipo de conversão que Jesus fala na parábola do semeador: “O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe com alegria; mas, como não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração, em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza” (Mt 13.20-21). O Novo Tes­tamento menciona algumas pessoas que eram apenas aparentemente convertidas: Himeneu e Alexandre blasfemaram (1Tm 1.20). Esse mesmo Himeneu é mencionado outra vez, juntamente com Fileto, como tendo se des­viado da verdade e começado a perverter a fé de alguns cristãos (2Tm 2.17-18). Ele também é mencionado mais uma vez como tendo causado muitos males ao apóstolo Paulo (2Tm 4.14). Demas era um companheiro de Paulo que, por ter amado o mundo, resolveu abandoná-lo (2Tm 4.10). João fala sobre aque­les que “saíram do nosso meio, entretanto não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1Jo 2.19).
d) Novas conversões. Não é possível que conversões verdadeiras se repitam, mas é possível que um crente se afaste de Deus e fique envolvido pelo pecado de tal modo que precise se voltar novamente para Deus. Davi era um homem de Deus, uma pessoa salva e piedosa. No entanto, cometeu os graves peca­dos – adulterou com Bate-Seba e ordenou que Urias fosse exposto ao perigo e abandonado para morrer. Os Salmos 32 e 51 relatam a angústia vivida por Davi, seu arrependimento e sua aproximação a Deus em fé, isto é, uma “nova conversão”.
Em Apocalipse, a carta à igreja de Éfeso faz menção da necessidade desta segunda conver­são: “Lembra-te de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras” (Ap 2.5). Os membros dessa igreja tinham se convertido, mas, depois disso, caíram nos pecados de imoralidade, idolatria e mornidão espiritual. Era fundamental que elas se convertessem desses pecados. Este tipo de segunda conversão ou de nova conversão é sempre necessário na vida dos crentes no sentido de fazê-los abandonar um pecado específico ou um grupo de pecados específicos e se voltarem para Deus com fé renovada.
Quanto ao mais, observa-se que a conversão pode ser uma experiência repentina, como aconteceu com o apóstolo Paulo e com Lídia, por exemplo, ou pode acontecer em um processo gradual, no qual a pessoa vai sendo gradualmente instruída na Escritura, convencida do pecado e da sua necessidade de salvação até que, um dia, ela recebe Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal.
A Escritura não nos permite estabelecer um padrão para a ação do Espírito. Não podemos afirmar que a conversão sempre tem que ser deste ou daquele jeito. O que é fundamental a respeito da conversão é que ela seja genuína. Quando se está indo pelo caminho errado, não importa se você vai fazer meia-volta ou se vai dar a volta no quarteirão para seguir na direção oposta. O que importa é que você vá na direção certa: o caminho da real e duradoura mudança, não só de atitudes, mas de caráter. Não existe experiência mais poderosa do que essa. A conversão é a mais genuína experiência espiritual que existe.

Conclusão

A conversão é uma obra divina e, ao mesmo tempo, humana. Na conversão, a soberania de Deus caminha de mãos dadas com a responsabilidade humana. Embora Deus seja completamente soberano na salvação é o pecador que precisa crer e se arrepender de seus pecados. Sempre há, na vida cristã necessidade de arrependimento e fé, especialmente quando o redimido se afasta temporariamente de Deus e é envolvido pelo pecado.

No mundo, mas não do mundo

No mundo, mas não do mundo

Texto base: João 17.1-19 

Introdução

O cristão está no mundo. Jesus intercedeu por sua igreja pedindo ao Pai que não nos tirasse do mundo. Estamos inseridos neste contexto de coisas trazidas à existência por obra do Criador, somos homens e mulheres criados conforme a imagem de Deus e com a tarefa de estabelecer relacionamentos e interagir biblicamente com o mundo à nossa volta. Mas como fazer isso de modo que Deus seja glorificado? Como evitar que nossa vida se torne mundana, secularizada?
Neste trimestre,[1] nosso assunto é o cristão e a cultura. Somos cidadãos dos céus, mas com a responsabilidade de trazer luz a este mundo, cujos valores se distanciam do que agrada a Deus.

I. O grande problema

A igreja evangélica tem se esforçado para ser relevante como sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-14), mas geralmente tem adotado dois extremos perigosos: (1) Tornar-se um gueto, um grupo isolado, somente voltado para os exercícios religiosos, inoperante e irrelevante para a sociedade, uma luz que não brilha; (2) Firmar um diálogo aberto com o mundo, tanto empenhando-se em aprender o idioma do mundo que perde sua própria essência. Portanto, é urgente discutir a questão biblicamente a fim de adotarmos uma postura equilibrada, que esclareça os crentes sobre qual é a atitude correta em relação à cultura.
O fundador do departamento de História da Universidade Livre de Amsterdã, professor Rookmaaker, com precisão argumentou sobre um desses extremos, o qual envolve a prática do que ele chama de espiritualidade fantasmagórica. Segundo Rookmaaker, muitos cristãos, com frequência, acreditam que é suficiente pregar o evangelho e fazer caridade. Ao se concentrarem em salvar almas, esquecem que Deus é o Deus da vida e que a Bíblia ensina como as pessoas devem viver e como devem lidar com o mundo, a criação de Deus. O resultado é que, apesar de muitas pessoas terem se tornado cristãs, o mundo se tornou totalmente secularizado – um lugar em que a influência cristã é praticamente nula.
Do outro lado, temos um movimento de igrejas que tentam competir com o mundo, no qual o evangelho tem sido transformado em entretenimento e pastores se esforçam para serem descolados, tão bacanas quanto celebridades televisivas, desenvolvendo imitações “cristãs” de tudo o que existe na cultura popular. Algumas igrejas se orgulham justamente por copiarem o mundo ao redor. 

II. O “mundo” nas Escrituras

A confusão, em parte, ocorre pela dificuldade de entender como a Bíblia define o mundo e como devemos nos relacionar com ele. Por vezes a palavra “mundo” é empregada como o resultado final da criação do universo; às vezes, no sentido de o planeta Terra; outras vezes, como um conjunto de ideias e comportamentos que acendem a ira justa de Deus e o entristecem. 
A. Um mundo bom
“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Deus trouxe todas as coisas à existência por meio da sua palavra. Mas o Criador não apenas ordenou que tudo viesse a existir, ele também determinou que certas atividades fossem realizadas (Gn 1.26-28). Ainda “faltava” algo. Alguns elementos e atividades estavam por existir, e Deus resolver cumprir seu propósito por meio da ação do ser humano. Por exemplo: Adão e Eva ainda não tinham filhos e a terra não estava povoada. Deus poderia ter criado um grande número de pessoas, mas cumpriu seu propósito abençoando o primeiro casal com fecundidade e ordenando que se multiplicassem. Outras árvores (além das criadas por Deus) deveriam ser plantadas a partir daquelas cujos frutos produziam sementes, e animais deveriam ser cuidados com vista à manutenção da vida do homem (Gn 1.29-30). Deus ordenou o estabelecimento das culturas agrícola e pecuária. E “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1.31).
Havia uma infinidade de potencialidades que deveriam ser desenvolvidas pelos seres humanos. A ordem de povoar a terra não traz consigo a ideia da criação de habitações e a responsabilidade de organização social? Por isso não é nenhum exagero pensar que “as ordens de Deus também se estendem às estruturas da sociedade, ao mundo das artes, dos negócios e do comércio” (A Criação Restaurada, Albert M. Wolters, Cultura Cristã). No entanto, o pecado entrou em cena e trouxe permanentes consequências (Gn 3), mas sem, contudo, apagar a beleza de Deus impressa em tudo o que ele criou.
No livro de Jó, encontramos uma seção (cap. 38–41) que não apenas exalta a pessoa de Deus como o Criador, mas também deixa claro o prazer dele nas obras de suas mãos. Cornelius Plantinga faz um empolgante comentário sobre essa seção: “Esses capítulos repletos de teor poético não nos ensinam zoologia, mas nos transmitem uma coisa importante: eles nos ensinam que Deus ama a sua criação. Deus celebra a sua criação. Deus até brinca com a sua criação” (O crente no mundo de Deus, Cultura Cristã).
Essa perspectiva ecoa nos escritos do Novo Testamento. Quando João fala “no princípio era o Verbo”, certamente usou a expressão “no princípio” apontando para Gênesis 1.1, reafirmado, assim, que o mundo foi criado por Deus. O apóstolo Paulo fala dessa verdade (At 17; Cl 1.16,17), e o autor da Carta aos Hebreus também diz que pela fé entendemos que Deus criou todas as coisas (Hb 11.3). 
B. O mundo corrompido
A Bíblia ensina que este mesmo mundo criado por Deus está sob a maldição do pecado, que afetou toda a realidade criada. De acordo com o Evangelho de João, por exemplo, “o mundo inteiro jaz no maligno” (1Jo 5.19) e está sujeito ao dominador deste mundo, Satanás (Jo 14.30; 16.11), que é o “deus deste século” (2Co 4.4). O mundo não conhece a Deus nem aos filhos de Deus (1Co 1.21; Jo 17.25; 1Jo 3.1,13). Na verdade, odeia os filhos de Deus (Jo 15.18-19; 17.14). Então, os seguidores de Cristo devem se opor às manifestações de pecado existentes neste mundo e vencê-las pela fé (1Jo 2.15-17; 5.4).
O texto de 2Coríntios 4.4 afirma: “… o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” Paulo ensina, assim, que Satanás é deus deste mundo apenas no sentido de que ele está sendo servido como se fosse Deus. Satanás, o príncipe do mundo (Jo 14.30), não está no controle de todas as coisas, mas é um agente importante na produção de uma cultura marcada pela cegueira espiritual.
Eis aqui outro ponto importante. Os seres humanos que rejeitam o senhorio de Deus são agentes culturais cegados pelo próprio pecado e pela ação de Satanás, mas continuam agindo e produzindo cultura e, por mais que tenham em mente difamar o Criador, continuam a usufruir das bênçãos divinas: a vida, a inteligência, a criatividade, o ar, o sol, etc., ou seja, continuam sempre dependentes de Deus, ainda que produzindo um ambiente hostil aos filhos de Deus.
Na oração sacerdotal, Jesus intercede por todos os seus, pedindo que não sejam tirados desta realidade criada, mas libertos do mal (Jo 17.14-16). Continuamos aqui na Terra, mesmo tendo, em Cristo, uma nova natureza, porque temos uma missão: ser sal e luz. 
C. O mundo sendo redimido
O universo trazido à existência pelas mãos do Criador, mas agora manchado pelo pecado, pode ser reparado, restaurado. “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19). Cristo é a luz do mundo (Jo 1.12) e é também seu Salvador (Jo 4.14). Afinal, Deus continua soberano, a beleza de seus atos ainda pode ser vista (Sl 19; Rm 1.18-21). Cornelius Plantinga tenta exemplificar essas questões nos seguintes termos: “Do mesmo modo que um violino Stradivarius que esteja danificado, batido, mal consertado, desafinado, pode ser ainda inconfundível ao olhar e aos ouvidos bem treinados, tudo o que foi feito por Deus retém pelo menos parte da sua bondade e da sua promessa”. Jesus veio para nos mostrar que somente nele podemos ter a esperança de o mundo voltar a soar harmoniosamente.
Ainda na oração sacerdotal, Jesus (Jo 17.17-18), após pedir que os seus discípulos fossem santificados na verdade, anuncia que eles agora teriam uma missão no mundo: “Assim como o Pai enviou seu Filho ao mundo para salvar pecadores, assim Cristo enviou os apóstolos para darem continuidade a essa obra” (Bíblia de Estudo de Genebra). A igreja é o povo que deve dar continuidade ao que Cristo iniciou. A igreja deve ser um oásis no meio do deserto. 

III. Dualismo

A visão de mundo dualista é uma maneira de tentar entender a realidade à nossa volta. Parte do princípio da existência de uma tensão (conflito) de opostos em equilíbrio de forças: o bem e o mal, as trevas e a luz, o yin e o yang da cultura oriental, o corpóreo e o espiritual. O dualismo enxerga o mundo na coexistência de dois poderes, o bem disputando contra o mal. Quando esse conceito é aplicado ao cristianismo, cria-se a ideia errada de Deus lutando para tentar vencer o diabo. E assim se enxerga uma divisão entre aquilo que é santo (de Deus) e o que é profano (do diabo).
Todavia, não é isso o que a Bíblia ensina. Na verdade, Deus criou todas as coisas e, mesmo com a ação do pecado e a ação real e mortal de Satanás, o mundo permanece sob o domínio soberano de Deus. Um exemplo evidente disso está no início do livro de Jó: o diabo aflige a vida de Jó dentro dos limites estabelecidos e permitidos por Deus (Jó 1.12). Nos Evangelhos, os demônios reconhecem a autoridade de Jesus e são expulsos pelo poder de Cristo, o Filho do Homem (Mt 8.16,28-32; Mc 1.32-34). Nenhum pardal cai ao chão sem a permissão divina (Mt 10.29-30), pois não apenas a vida, mas até a constante ação da gravidade é manifestação do seu domínio perene. Portanto, o mundo não está sendo disputado em uma queda de braço.
A Igreja, no período medieval, distanciou-se da visão bíblica e abraçou a forma dualista de ver e entender o mundo. Como resultado, passou a enxergar o mundo em basicamente dois compartimentos distintos: o reino espiritual de Deus (as orações, a vida monástica, o serviço à igreja, as manifestações de devoção religiosa) em oposição ao reino deste mundo natural. Naquele período, por exemplo, o único meio de um pintor talentoso ganhar a vida era estando a serviço da igreja; as pinturas quase sempre possuíam temas religiosos, com a intenção de inspirar devoção e ensinar uma lição moral ou espiritual.
A Reforma Protestante buscou purificar a igreja e livrá-la desse erro doutrinário. Para os reformadores, o natural era tão santo quanto o espiritual, e a obra do Pai na criação era considerada tão magnífica e cheia de significado quanto a obra do Filho na redenção. A partir da Escritura, eles compreenderam que Jesus é o redentor cósmico, o único por meio de quem todas as coisas eram restauradas ao Pai (Cl 1.20).
A salvação em Cristo não tem apenas implicações para a glória futura, tem também alegrias e consequências aqui e agora, implicações para a vida presente do crente. A vida de santidade se desenvolve no relacionamento do crente com este mundo: nas tentações que são superadas, na tarefa de evangelização, na integralidade da vida do lar, na busca pela excelência profissional e estudantil, assim como na leitura da Palavra e na vida de oração. Jesus salvou (transformou) os agentes culturais e espera-se, portanto, que a cultura também seja transformada.

Conclusão

Realmente existe uma batalha ocorrendo na Terra, onde Satanás tenta confundir os crentes ou diminuir a confiança de que Cristo é suficiente para nossa salvação. Em outras palavras, é uma batalha pelos corações e pelas mentes e tem a ver com verdade versus erro, fé versus incredulidade. Deus continua no controle, sem nos dar muitos detalhes do motivo pelo qual permite a existência das armadilhas do inimigo. E embora a humanidade tenha transformado este mundo em um lugar de rebeldia, maldade e aparente desordem, Satanás não tem a menor chance de vitória final. Ela já foi conquistada por Cristo.
Um entendimento mais profundo do evangelho nos ajudará a melhor compreender o mundo à nossa volta e como devemos nos relacionar biblicamente com ele, sem desprezar a realidade do senhorio de Cristo, vislumbrando a glória porvir, mas entendendo que temos uma nobre missão.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A Parábola de Jesus Sobre Remendo Novo, Veste Velha

A Parábola de Jesus Sobre Remendo Novo, Veste Velha


“Ninguém deita remendo de pano novo, em veste velha, porque semelhante remendo rompe a veste e faz-se maior a rotura” Mt 9:16

Quando Jesus falou sobre veste e remendo, Ele estava diante de alguns discípulos de João Batista que o interrogavam sobre jejum. A necessidade de tal pratica também era observada com afinco pelo clero fariseu. Antes de proferir essa parábola, Jesus havia se deparado com fariseus e escribas criticando seu modo de viver: “ Por que come vosso mestre com os publicanos e pecadores? (Mt 9:11) Ele blasfema (Mt 9:3), rogaram para que Jesus se retirasse de seu território ( Mt 9: 34)". Imaginar Jesus salvando vidas com todo amor e bondade de Sua alma e recebendo olhares e palavras ríspidas como recompensa.  Mas Ele não desistia, nem se intimidava com a perseguição, muito pelo contrário, todo o tempo possível era usado para curar corações. Pessoas, vidas, esse era o maior alvo do Mestre.

Costureiras sempre dizem que é mais fácil e prático fazer uma peça nova do que concertar uma antiga. Remendos são soluções provisórias para prolongar a vida útil de uma veste e a palavra grega usada por Jesus sobre remendo foi “Agnaphos”, indicando um tipo de tecido inacabado, de algodão e fibras ainda desalinhadas. Ou seja, um tecido que  precisaria de retoques especiais para poder ser utilizado e nunca em veste velha, caso contrário, com a subsequente lavagem, ou mesmo com a força da linha de costura, o rasgo se tornaria ainda maior. A fraqueza do tecido velho, não suportaria a junção e resistência do novo. Que significado teria essa parábola de Jesus?

Interessante perceber a referência ao tipo de tecido usado para remendo e a contextualização da conversa que girava em torno de fariseus e discípulos de João batista: “ Podem porventura andarem tristes os filhos das bodas , enquanto o esposo está com eles? Dias, porém virão, em que lhes será tirado o esposo, então jejuarão. Ninguém deita remendo  de pano novo em veste velha, porque semelhante remendo rompe a veste e torna ainda maior a rotura” Mt 9: 15:16. O tecido novo  era o próprio Jesus, a Nova Aliança da graça e a roupa velha, era a lei, todo o sistema religioso que dominava os fariseus, escribas e religiosos da época que não compreendiam os requisitos para o Novo Reino: arrependimento, perdão, novo nascimento.

Jesus estava com eles, e Ele era maior que toda e qualquer regra, a santidade consistia em se aproximar Dele e recebê-Lo no coração como novo homem, com nova vida. Era impossível seguir Jesus e continuar servindo ao antigo sistema de obras e tradições. A Nova Aliança, era aquele tecido inacabado, porque Jesus ainda seria morto e ressuscitaria para cumprir definitivamente o plano salvífico. Os filhos das bodas eram os discípulos. Jesus o esposo, O noivo que seria tirado, ou seja, após a ressurreição, seria elevado ao céu (Atos 1:9) para aguardar o cumprimento dos tempos. Apesar da comparação entre antiga e nova aliança, veste velha e remendo novo, Jesus aponta para um futuro em que os corações dos homens seriam comparados a vestes novas, brancas, completas, sem remendos. Uma transformação possível através da fé e não de tradições. Do amor, e não da religião. Da graça que se cumpre com a ação do Espírito santo em nós, pecadores como Saulo que se fez Paulo. Eis o reino de vestes que não precisariam de remendos.

Pode-se fazer uma comparação fiel entre a parábola de Jesus e esses versos de Efésios:
E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente. Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; Os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza. Mas vós não aprendestes assim a Cristo,  Efésios 4:17-20

O velho homem, de vestes velhas.

É vaidoso, ignorante, duro de coração, separado de Deus, enganado quanto a si mesmo, voltado para imoralidade e sem sentimento.

E quando observei o significado real de “sem sentimento”, pude compreender melhor o estado do homem que vive sem Cristo.  “Sem sentimento” é a tradução para “parar de vigiar, de se preocupar”.  A veste velha é como esse homem que se acostuma ao pecado e já não liga mais para o que Deus pensa sobre ele. Se perde o temor, o amor e procura agradar somente a si mesmo. Os remendos surgem com muitas cores e tamanhos: “idas a igrejas, vida fora de suspeita, evangelho vivido de forma emocional , superficial, mas nada de transformação, de rasgar as antigas vestes e vestir as novas para aguardar a volta do Noivo”.