sexta-feira, 30 de março de 2018

 
Sexta -feira santa e a Páscoa 
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Os cristãos devem guardar a sexta feira santa? E celebrar a páscoa?

Não tem como falar de sexta feira da paixão, sem falar de páscoa. Seria o mesmo que falar da morte de Cristo sem a ressurreição. Então para entendermos o porque não há a necessidade de guardar a sexta-feira santa e porque nós protestantes não fazemos, vamos entender melhor o que é a Páscoa!

O nome páscoa surgiu a partir da palavra hebraica "pessach" ("passagem"), que para os hebreus significava o fim da escravidão e o início da libertação do povo judeu (marcado pela travessia do Mar Vermelho, que se tinha aberto para "abrir passagem" aos filhos de Israel que Moisés ia conduzir para a Terra Prometida).

Ainda hoje a família judaica se reúne para o "Seder", um jantar especial que é feito em família e dura oito dias. Além do jantar há leituras nas sinagogas.

Para os cristãos, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a Ressurreição. A vitória de Jesus que tendo estado morto ao terceiro dia ressuscitou como havia prometido, vencendo a morte,” Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia.”Mateus 28 :6 e religando o homem a Deus,” E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo”Marcos 15:38.

Dando novamente o acesso entre Deus e homens que se havia perdido desde a queda de Adão. ”Deus enviou seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo mas para que o mundo fosse salvo por ele”.

Restaurando a comunhão entre o Criador e sua criação, pagando nossa dívida de pecado, ”Porque Deus amou o mundo de tal maneira que enviou seu Filho Unigênito para que todo aquele que N`Ele crer não pereça mas tenha Vida Eterna” João 3:16.

Abrindo um caminho para a salvação eterna, através Dele, ”Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”João 14:6. É considerada a festa das festas, a solenidade das solenidades, e não se celebra dignamente senão na alegria [2] .

Acontece que antes de ressuscitar e ser assunto aos céus Jesus padeceu até o sacrifício final de ser pregado em uma cruz.

Há uma ordenança na bíblia para os que seguem Jesus de periodicamente relembrar o sacrifício feito por Ele,e isso é feito celebrando a santa ceia “E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” Lucas 22:19-20

Algumas igrejas quinzenalmente outras,mensalmente, trazem a memória o sacrifício de Jesus,através da celebração da santa ceia.

Além de relembrar o sacrifício do Filho de Deus, outra prática muito divulgada hoje em dia é a abstenção de carne na sexta feira da paixão.

Entre os cristãos é uma prática muito comum se abster de alimentos do seu dia a dia, mais conhecida como jejum. Prática esta que existe desde antes de Jesus descer à Terra. O próprio Cristo jejuou (“E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; Mateus 4:2”). E após sua assunção aos céus também os cristãos continuaram essa prática. Ou seja a abstinência de alimentos para consagração já é algo praticado durante todo o ano,entre os seguidores doMestre.

Também na Bíblia não encontramos nenhuma ordenança onde se deva guardar a sexta feira da paixão, assim como também as igrejas nada impõem, já que jejum é algo pessoal, ficando à critério de cada um decidir do que se abster, e quando se abster!!

Espero ter ajudado aqueles que ainda não sabiam ou tinham alguma dúvida a respeito da sexta-feira santa e da páscoa!!
Lembrando sempre que a única fonte e infalível de verdade é a Palavra de Deus!!!

CELEBREMOS !!
JESUS VIVE!!

segunda-feira, 26 de março de 2018

O VOTO DE FIDELIDADE

O VOTO DE FIDELIDADE 
Base Bíblica: Filipenses 2.3-4
“O cristianismo não deprecia o casamento, santifica-o” (Die­trich Bonhoeffer, citado por Foster em DSP, p.137). E uma das formas de santi­ficar o casamento é por meio da fidelidade. Todos os cristãos: homens, mulheres, sol­teiros, casados, divorciados, viúvos, casados de novo, são chamados à fidelidade.
1. Definindo fidelidade
Foster, nas páginas 151 e 152, dá sete definições de fidelidade com relação a sexo.
1.1 Afirmaçăo
Afirmar nossa sexualidade em toda a sua complexidade multiface­tada. Devemos nos manter fieis à natureza que Deus nos concedeu.
1.2 Lealdade
Ser leal à nossa vocação. Uns são vocacionados para o celibato, a maioria para o casamento (1Co 7.7). O importante é viver conforme Deus planejou.
1.3 Orientaçăo
Orientar a prática sexual por intermédio da aliança conjugal pro­vida por Deus. Dizemos “não” à promiscuidade antes do casamento e ao adultério, depois dele.
1.4 Compromisso
Ter compromisso duradouro para com o bem-estar e o crescimento do outro. A obrigação com a felicidade do outro é um princípio cristão esperado por Jesus para todos os salvos (1Co 7.3-5).
1.5 Prática
Praticar a mutualidade. Não podemos permitir que o egoísmo con­trole nosso relacionamento (Fp 2.3-4).
1.6 Honestidade
Ser honesto e transparente com o cônjuge. Nosso compromisso é de tirar nossas máscaras, abandonar mentiras (Ef 4.25).
1.7 Vida espiritual
Explorar juntos o mundo interior da vida espiritual. Fazemos um voto de orar juntos, de adorar juntos, de celebrar juntos. Partilhamos nossa alma com o cônjuge.
Essas sete definições de fidelidade condenam a prática de impurezas sexuais para todos. Sua vida está de acordo com tais definições?
2. O significado de fidelidade para os solteiros
“A relação sexual é um desejo humano, não uma necessidade humana, e a diferença é sig­nificativa” (DSP, p.153). Quando os solteiros nutrem e seguem a orientação bíblica a respeito da sexualidade, suas necessidades se enquadrarão na perspectiva adequada. O que é chamado de ne­cessidade sexual é desejo. O corpo do ser humano precisa de ar, água e alimento. Ninguém morre por falta de relações sexuais.
Jesus e outras pessoas já viveram satisfatoriamente sem relações sexuais, apesar de serem seres sexuados. O apóstolo Paulo tratou especificamente das necessidades sexuais com a igreja de Corinto. Essa cidade era tremendamente influenciada pela prostituição. Ali havia um local chamado Acrocorinto onde ficava um templo da deusa Afrodite com cerca de mil prostitutas cultuais. A prática de orgias era muito comum. Nesse contexto, uma igreja foi implantada, e os salvos teriam que aprender a viver de maneira diferente por causa de Cristo.
Aparentemente, os coríntios levantaram o problema de o sexo ser uma necessidade como o alimento. Paulo lhes respondeu, exortando: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm… não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1Co 6.12). A resposta bíblica é que “os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele. Porém o corpo não é para a impureza, mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo” (1Co 6.13). Paulo argu­mentou que o sistema digestivo é temporal e biológico, e tem sentido apenas na existência terrena. Mas o corpo é o templo do Espírito Santo, estando destinado para a ressurreição, e carrega um significado eterno. Portanto, devemos “fugir da impureza” (1Co 6.15-18).
Para Deus, a relação sexual é tão cheia de significado espiritual que deve sempre ser reservada para a perenidade (até à morte de um dos cônjuges) do casamento. Dessa forma, cristãos solteiros desejarão abster-se da relação sexual enquanto desenvolvem outros aspectos de sua sexualidade.
Procure viver uma vida de santidade mesmo em meio às pressões do mundo. Se você sente que suas lutas relacionadas à sexualidade são muito difíceis de serem vencidas, procure ajuda espiri­tual com alguém de sua confiança.
3. O significado de fidelidade para os casados
“O casamento cristão é uma aliança. Aliança é uma promessa, um juramento de amor, le­aldade, e fidelidade. A aliança envolve continuidade, o senso de futuro comum, que desfrutamos antecipadamente e de uma história passada para a qual olhamos juntos” (DSP, p.156). Estabelecer uma aliança significa pertencer, dedicar-se a um relacionamento belo e crescente de amor e cui­dado. Vejamos significados da fidelidade no casamento.
3.1 Monogamia
Fidelidade no casamento significa monogamia. Dois aspectos da monogamia são: unidade (“uma só carne” – Gn 2.24) e amor ágape (o mais profundo, sublime, que caracteriza Deus).
3.2 Compromisso de amor e lealdade
Fidelidade no casamento significa compromisso de amor e lealdade por toda a vida. As dificuldades que surgem no casamento devem ser tratadas com dignidade e transparência. Elas nunca precisam constituir motivo para rompimento, e sim para amadurecimento. O problema não são as discussões ou desacordos, mas a maneira como lidamos com as situações.
3.3 Subordinaçăo mútua
Fidelidade no casamento significa subordinação mútua por causa da reverência a Cristo. A evidência bíblica de subordinação mútua para uma vida cheia do Espírito Santo é apresentada no ambiente familiar, iniciada pelos cônjuges (Ef 5.21-31). Os mandamentos são tanto para a esposa quanto para o marido, e confirmarão o compromisso com a aliança.
3.4 repressăo sexual fora do casamento
Fidelidade no casamento significa repressão sexual fora do pacto conjugal. O adultério não é aceitável de forma alguma na vida dos discípulos de Jesus. Após o casamento, o casal entra num relacionamento de pertencimento mútuo. Portanto, não devem viver como se fossem livres um do outro (1Co 7.4). “Nosso cônjuge e nosso casamento são mais profundamente afetados para o bem ou para o mal pela forma como expressamos nossa sexualidade do que por quase qualquer outra coisa em nossa vida” (DSP, p.161).
3.5 Liberdade sexual dentro do casamento
Fidelidade no casamento significa liberdade sexual dentro da aliança sexual. Quando o sexo é praticado dentro do casamento, constitui uma experiência rica e satisfatória. Para Paulo, a ex­pressão de liberdade sexual dentro do casamento é tão essencial quanto a aliança, porque faz parte integral dela (1Co 7.3). Intimidade, liberdade, sensualidade, diversão, são coisas que alimentam a experiência sexual. Quando manifestadas com respeito e mútuo consentimento, nutrem o amor entre os cônjuges. Ao passo que, quando reprimidas com egoísmo, encurtam a sua beleza. “Sexo, em seu melhor, mais alto, mais santo aspecto, é festa, é celebração, é deleite” (DSP, p.163).
Se você ainda é solteiro, guarde no coração todos os ensinos relativos à fidelidade no casamento. Dessa forma, quando se casar, saberá o proceder correto em fidelidade. Se você já é casado, co­loque em prática todos os ensinamentos desta lição.
4. O significado de fidelidade para a igreja
O que dizer da comunidade de cristãos? O que a fidelidade significa para a igreja? Primeiro, temos de lembrar que nosso conceito de fidelidade é tirado da aliança de Deus com Seu povo, logo, de Jesus Cristo com Sua igreja. Ao usarmos esse modelo, evitamos pensar em fidelidade apenas como a ausência de adultério, e sim como a manifestação de amor criativo pelo cônjuge.
4.1 Responsabilidade
Fidelidade para igreja significa responsabilidade para com toda a família. Para que esse con­ceito não permaneça teórico, a igreja é chamada a um ministério de oração e orientação espiritual. Quando Paulo compara o relacionamento conjugal com o relacionamento entre Cristo e a igreja (Ef 5.32), ele nos dá a possibilidade de envolvermos diretamente a comunidade de salvos, de maneira geral, na vida da família.
4.2 Edificaçăo
Fidelidade para igreja significa programar edificação para toda a família. A igreja deve ter os olhos abertos para as necessidades não somente dos casados, mas dos solteiros que pretendem se casar, e daqueles que permanecerão solteiros.
4.3 Discipulado
Fidelidade para igreja significa discipular os namorados e noivos. Quando a igreja tem um programa de acompanhamento desde o namoro até o casamento, ela está afirmando que ama a família, com todos seus membros e necessidades.
4.4 Envolvimento
Fidelidade para igreja significa envolvimento integral na organização das cerimônias de casamento. Ao passar pelo processo de discipulado e aconselhamento bíblico, os noivos estão dizendo que não somente eles ou suas famílias são responsáveis pela cerimônia, mas que a igreja, como sua comunidade e autoridade espiritual, também faz parte desse momento precioso.
4.5 Privaçăo
Fidelidade para igreja significa cuidar das pessoas privadas dos direitos sexuais. Se todos são seres sexuados, a igreja precisa prestar atenção naquelas pessoas que são impossibilitadas dessa função do organismo. São exemplos: algumas pessoas que têm limitação física; aquelas que so­frem de enfermidades graves ou que terão de conviver com uma doença crônica; os idosos. São pessoas que precisam de cuidado e atenção tanto quanto quaisquer outras.
Um casal ou uma igreja só não desejarão essa parceria se um ou outro, ou ambos, estiverem espi­ritualmente enfraquecidos por conceitos não cristãos, não bíblicos. Ter a igreja como participante ativa de todos os momentos, desde o namoro até a cerimônia de casamento, e então durante a vida do casal, é bênção e privilégio dos que estão aprendendo a amar a Jesus, e a viver como Seu Corpo.
Conclusăo
Tendo analisado o voto de fidelidade para solteiros, casados e para a igreja, percebemos que somos responsáveis por responder às necessidades das pessoas, tanto dos casados como dos sol­teiros. Precisamos lembrar que a fidelidade não é um conjunto estático de regulamentos – é uma aventura vibrante, viva. Sendo nossa aliança com Deus o alicerce desse voto de fidelidade, então podemos encerrar esse estudo relembrando o resumo que Jesus fez dos mandamentos: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o gran­de e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37-39).

O CRISTÃO E A LEI

O CRISTÃO E A LEI
 Texto Básico:  Romanos 7.1-25
Introdução: Sem dúvida, Romanos 7.1-25 é um dos textos mais complexos da epístola e, talvez, um dos mais difíceis de interpretar em todo o NT. Por isso, há tanta polêmica entre os estudiosos. A grande tensão está na dificuldade que os ouvintes de Paulo, especialmente os judeus, tinham de relacionar a lei com a fé em Jesus Cristo. O propósito desta lição é definir e explorar os principais aspectos que dizem respeito à lei e ao seu relacionamento com o cristão.

I. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A LEI
No trecho em estudo, aparece 21 vezes a palavra “lei”. Tal frequência indica o tema central do trecho. Façamos algumas considerações sobre a palavra “lei” na Bíblia.
1. Que é lei?
De maneira simples, tomamos “lei” como a vontade de Deus revelada aos homens em palavras, princípios, preceitos, julgamentos, atos (cf. Êx 16.28; Sl 119). Na Bíblia, geralmente está relacionada ao AT, mas não significa que o NT não apresenta normas ao crente.
a. O Pentateuco – Nominado pelos judeus de “A Lei” (Torá), Pentateuco é o conjunto dos cinco primeiros livros do AT. De origem grega, Pentateuco significa “cinco volumes”. Para os judeus, ouvintes de Paulo, a Torá, designava todo o conjunto de leis da sua tradição – lei escrita e lei oral.
b. O Antigo Testamento – O AT também era visto como um tipo de compêndio de toda a lei de Deus.
c. Um princípio – Lei, em sentido geral, significa regra, prescrição que emana de autoridade soberana. Assim, lei também é entendida como um princípio de obediência a toda orientação de Deus. Nesse sentido o NT é lei de Deus.
d. A lei de Deus – Significa todo desígnio de Deus ao homem – a Bíblia em sua cons­tituição total (66 livros, cf. Sl 119; 2Tm 3.16).
2. Três possíveis atitudes diante da lei
John Stott, em sua obra A Mensagem de Romanos, menciona três tipos de pessoas e as atitudes que elas adotam diante da lei.
a. O legalista – Observa rigorosamente a lei, mas está sob sua servidão. Uma vez que não é capaz de cumprir integralmente a lei, acaba vivendo de aparências. Pauta seu comportamento pela religiosidade hipócrita. Observa excessivamente o exterior, mas não é capaz de examinar o próprio interior. Aponta os pecados alheios, mas não enxerga os próprios erros.
b. O antinomiano (ou libertino) – Detesta a lei e a lança fora. Transforma a liberdade em libertinagem. Rejeita integralmente a lei e se declara completamente livre de suas exigências. Para quem pensa assim, a lei é causadora de todos os seus problemas. Vive sem normas ou limites.
c. O cristão equilibrado – Respeita, ama e obedece à lei. Ele se alegra pela libertação do regime da lei e pela liberdade que Deus dá para cumpri-la. Regozija-se pela oportunidade de observar a revelação de Deus – a Bíblia (Rm 7.12), reconhe­cendo que a força para cumprir tais preceitos vem do Senhor.
3. Os objetivos da lei
a. Ser uma revelação de Deus e de Sua vontade.
b. Proporcionar bem-estar e preservação da raça humana.
c. Pôr o pecado às claras.
d. Levar os homens ao arrependimento e à confiança na graça de Deus.
e. Prover orientação para a vida do cristão.
Romanos para hoje:
Das três atitudes diante da lei, mencionadas na lição: legalista; antinomiana e cristã equilibrada – em qual você se enquadra? Mesmo livre do regime da lei, você tem prazer em cumprir os preceitos de Deus?

II. A SEVERIDADE DA LEI (Rm 7.1-6)
Paulo inicia a seção indagando se os seus ouvintes conheciam os limites da lei. O texto deixa claro que os ouvintes do apóstolo conheciam a lei (Rm 7.1). Para ele, “a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Rm 7.12). O problema estava no conceito que se dava à lei. Segundo F. F. Bruce, os ouvintes de Paulo entendiam que, devido à penosa conformidade com um código de leis, era possível adquirir mérito para salvação diante de Deus.
1. O princípio (Rm 7.1)
O princípio estabelecido é: a lei tem autoridade sobre o homem somente enquanto ele vive. A morte invalida o domínio da lei sobre o indivíduo e o desobriga dos com­promissos contratuais. Com a morte, os preceitos da lei são dados como terminados. O princípio é visto de maneira universal como uma sentença legal para qualquer tipo de lei: grega; romana; judaica ou bíblica.
2. A ilustração (Rm 7.2-3)
Paulo explica o princípio da autoridade da lei usando a ilustração do casamento. A mulher está legalmente unida ao marido enquanto ele viver (o mesmo se aplica ao marido). O compromisso conjugal só é rompido quando uma das partes morre. As obrigações de um para com o outro são canceladas na morte. Matrimônio para toda a vida não significa para além da vida. Na ilustração, o marido morre, e a esposa fica livre para contrair novas núpcias. No tema em questão, existe uma morte que nos libera da escravidão da lei, pois pela morte de Cristo somos libertos das exigências da lei. É evidente que isso só ocorre por meio da fé em Jesus.
3. A aplicação (Rm 7.4-6)
Na morte de Cristo, o homem pode ser liberto do regime da lei e contrair novo relacionamento, agora com o próprio Senhor Jesus (Rm 7.4). A nova união, porém, não pode ser desfeita uma vez que Cristo ressuscitou e não mais morrerá (Rm 7.9). Então o crente pode frutificar para Deus, uma vez que morreu com Cristo. John Stott alerta para o fato de que estar emancipado da escravidão da lei não significa estar livre para fazer o que quiser. Libertação da lei não significa liberdade para pecar, e sim liberdade para servir a Deus (Rm 7.6). F. F. Bruce conclui dizendo que a morte e o pecado são resultados da associação com a lei, mas a vida e a justiça são o resultado da união com Cristo.
Romanos para hoje:
Você realmente é livre do regime de escravidão da lei? Você sente alegria e liberdade para servir a Deus verdadeiramente?

III. O MINISTÉRIO DA LEI (Rm 7.7-13)
1. A lei é pecado?
A resposta é franca e clara: “De modo nenhum!” (Rm 7.7). O apóstolo precisava ter certeza de que seus ouvintes não deturpariam seus ensinos sobre a lei. Mas se por um lado a lei não é pecado, qual a relação entre pecado e lei?
a. A lei revela o pecado (Rm 7.7) – Paulo já havia escrito algo a respeito: “visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhe­cimento do pecado” (Rm 3.20). Agora ele diz: “eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei” (Rm 7.7). A lei é capaz de revelar os pecados mais ocultos e conduzir o indivíduo à luz. Paulo ainda menciona o décimo mandamento: “pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm 7.7). Paulo dá testemunho da ação da lei em sua vida, citando o pecado da cobiça.
b. A lei desperta o pecado (Rm 7.8) – Para melhor compreensão do verso, faz-se ne­cessário observar como algumas versões traduziram Romanos 7.8.
Bíblia Viva – “O pecado, no entanto, usou essa lei contra os maus desejos lembrando-me que eles estão errados, e despertando dentro de mim toda sorte de desejos proibidos! Somente se não houvesse leis para serem quebradas é que não haveria pecado”.
Cartas para Hoje – “Mas o pecado em mim, encontrando no mandamento oportunidade para se manifestar, estimulou todos os meus desejos. Pois na ausência da lei o pecado não tem vida própria”.
NTLH – “Porém o pecado se aproveitou dessa lei para despertar em mim todo tipo de cobiça. Porque, se não existe a lei, o pecado é uma coisa morta”.
A lei não só revela o pecado como também o expõe ou o desperta. A natureza peca­minosa do homem, em contraposição à lei de Deus, o leva a fazer o que é proibido. É como se a lei funcionasse como um fio condutor que desperta a atenção do homem para o pecado e, ao perceber o pecado, ele se sente estimulado a fazer o que não deve. O que é proibido pela lei sempre parece mais prazeroso, porém, sempre será condenado por Deus e pela própria lei.
c. A lei condena o pecado (Rm 7.8-11,13) – Se não existir lei, também não existirá transgressão (Rm 7.9). Se pecado é toda forma de transgressão à lei de Deus (1Jo 3.4), ela existe justamente para condenar o pecado. O papel da lei é mostrar às pessoas que elas são pecadoras e estão destinadas a morrer. A lei revela, des­perta e condena o pecado, mas Paulo deixa claro que a lei não é responsável pelos nossos pecados nem por nossa morte como não foi para ele. Nossa inclinação ao erro é que nos faz pecar, e o pecado nos conduz à morte (Rm 7.13). Por isso, a lei sempre vai exercer seu papel de condenar o pecado.
2. Atributos da lei (Rm 7.12)
Paulo caracteriza a lei com palavras simples, mas profundas: “a lei é santa, e o manda­mento, santo, e justo, e bom”. As características da lei simplesmente refletem o caráter de Deus, sendo uma cópia de Sua perfeição. Isso mostra que o problema não está na lei, e sim em nós. A lei sempre exerceu seu papel perfeito como perfeito é Deus.
Romanos para hoje:
A lei de Deus funciona como alerta contra o pecado. Você tem observado atentamente esse alerta? A lei tem lhe conduzido a viver longe do pecado?

IV. A LEI E A CARNE (Rm 7.14-25)
O problema nunca esteve na lei, mas no homem que é frágil e pecador. O ser humano não é capaz de cumprir integralmente os preceitos da lei e se vê em constante conflito. Exemplo dessa situação encontramos na vida do apóstolo Paulo.
1. Os conflitos de Paulo (Rm 7.14-23)
Paulo sentiu na pele os conflitos gerados pelo conhecimento da lei, que o direcionava à vontade de Deus, ao mesmo tempo em que era assediado pelo pecado, que tentava conduzi-lo à morte. Há conflitos entre o que é espiritual e o que é carnal (Rm 7.14), e entre o saber e o fazer (Rm 7.15.23). Os constantes conflitos do apóstolo remetem aos três tempos da santificação: somos libertos da culpa do pecado na justificação em Cristo; estamos sendo libertos do poder do pecado pela ação do Espírito Santo e seremos libertos da presença do pecado no encontro com Deus Pai (glorificação).
2. O desespero de Paulo (Rm 7.24)
O grito ecoado de Paulo não é um pedido de socorro de alguém que está comple­tamente perdido nem um apelo sem convicções a respeito de sua salvação, mas um desabafo, em forma de pergunta retórica, de um servo que está fragilizado pelas lutas e anseia pela libertação do pecado.
3. A única saída (Rm 7.25)
Paulo lamenta ser influenciado pelo pecado e fazer algo que não deseja, ansiando pela libertação plena da escravidão do pecado. Ele exalta a Deus por meio do Senhor Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador.
Romanos para hoje:
Convivemos diariamente com os mesmos conflitos retratados por Paulo. Diante de tal fato, mesmo em conflitos, você tem convicção de sua salvação em Cristo? Tem conseguido enfrentar e vencer as lutas geradas pelo que é espiritual e o que é carnal, e entre o saber e o fazer?
Conclusão
Vimos nesta lição que alguns homens de Deus (da nação de Israel) consideravam a lei uma salvaguarda contra o pecado. Por isso, usando a própria experiência, o apóstolo Paulo ensinou que a lei de Deus propriamente dita não tem nenhuma falha (Rm 7.12), mas que a religião exercida sob o domínio de códigos de leis não possibilita mérito diante de Deus. A salvação, bem como a luta contra o pecado e a prática dos preceitos de Deus, deve ser entendida a partir da fé na obra redentora do Senhor Jesus Cristo.

PAULO E A LIBERDADE CRISTÃ

PAULO E A LIBERDADE CRISTà
 Texto básico: Rm 14.1-15.13
Introdução: O apóstolo Paulo desfrutou com autoridade a liberdade cristã. Sua maturidade espiritual revela completa emancipação de inibições e tabus religiosos sem ferir nenhum princípio bíblico. Não sendo conivente com qualquer padrão antibíblico, Paulo se adaptava aos mais diversos ambientes com a finalidade de apresentar Cristo (1Co 9.22), porém, sabia que muitos cristãos não eram completamente emancipados como ele. Por isso, na carta aos Romanos, exigiu que os “fracos” fossem tratados com cuidado, paciência e sabedoria pelos mais “fortes”.
I. Os fracos e os fortes
Romanos 14.1-15.13 tem seu foco voltado para dois grupos da comunidade cristã em Roma, identificados por Paulo como “os fracos” e “os fortes”.
1. Os fracos
A palavra grega para “fraco” é astheneo que indica “fraqueza, indigência, impotência, falta de força por variados motivos”. No NT, a palavra foi usada cerca de quarenta vezes para designar doentes físicos. Dessa forma, não é exagero dizer que Paulo apontava para um tipo de “fé enferma”. Em paralelo com a ideia da liberdade cristã, John Stott afirma: “o que falta ao fraco não é força de vontade, mas liberdade de consciência” (A Mensagem de Romanos, p.429).
Quem eram os fracos? John Stott propõe quatro possibilidades.
a. Ex-idólatras. Eram recém-convertidos do paganismo; grupo semelhante ao mencionado por Paulo em 1Coríntios 8; indivíduos que mesmo resgatados da idolatria, por escrúpulo (hesitação da consciência), sentiam-se impedidos de comer carne que, antes de ser vendida em açougue local, era dedicada a ídolos.
b. Ascetas. Pessoas que exercitavam a disciplina do autocontrole do corpo consideran­do que isso era algo imprescindível para chegar a Deus. Havia ascetas presentes na igreja em Roma, o que explica por que se abstinham do vinho e da carne (Rm 14.21).
c. Legalistas. Consideravam as abstenções como boas obras necessárias para a salva­ção. Não entendiam a suficiência da fé em Cristo para a justificação do homem.
d. Cristãos judeus. A possibilidade mais satisfatória entre os estudiosos. Eram os que permaneciam com a consciência voltada para as regras do judaísmo, espe­cialmente referente a dietas (comer apenas alimentos considerados limpos – Rm 14.14,20) e dias religiosos (guarda dos sábados e festivais judaicos).
2. Os fortes
A palavra grega para “forte” é dynatos, e significa “alma forte, capaz de suportar calami­dades com coragem e paciência, firmes nas virtudes cristãs”. Indica um cristão maduro na fé e no trato com o próximo. Qualifica a pessoa de natureza contrária à dos fracos.
Romanos para hoje
O cenário da igreja de nossos dias revela certa similaridade com a igreja em Roma. Existem fracos e fortes na fé. Precisamos orar constantemente pedindo que Deus dê sabedoria aos líderes locais a fim de que saibam lidar com essas pessoas.
II. Sete princípios de liberdade cristã (Rm 14.1-23)
1. Nem todos possuem a mesma fé (Rm 14.1-2)
A Bíblia registra pelo menos quatro graus de fé: nenhuma fé (Mc 4.35-41), pequena fé (Mt 14.22-33), grande fé (Mt 15.21-28) e inigualável fé (Mt 8.5-15). Há pessoas que se encaixam nesses grupos, portanto, nem todas possuem a mesma fé. A unidade da igreja em Roma estava ameaçada porque os cristãos maduros conflitavam com os cristãos imaturos. Enquanto um grupo entendia bem a amplitude da liberdade cristã pela fé em Jesus, o outro estava com a consciência perturbada e não sabia exatamente o que fazer e o que não fazer.
Sabendo que os cristãos maduros entenderiam melhor esse conflito, Paulo direciona a eles dois conselhos práticos em relação aos mais imaturos:
a. “Acolhei ao que é débil [fraco] na fé”. Aceitem genuinamente e de boa vontade os imaturos na fé. Recebam-nos amorosamente em seu círculo de amigos íntimos.
b. “… não, porém, para discutir opiniões”. Não discutam assuntos controvertidos. Não entrem em conflitos de consciência pessoal.
2. O cristão não deve ser juiz de seu irmão (Rm 14.3-4,7-12)
Não foi a única vez que Paulo escreveu condenando formas de julgamento humano. Em 1Coríntios, ele diz: “A mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por tribunal humano; nem eu tampouco julgo a mim mesmo… quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor” (1Co 4.3-5). O texto parece ecoar as palavras de Jesus: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1).
O apelo fundamental do apóstolo é que não devemos julgar irmãos que discordam de nós. O fraco deve ser aceito entre os cristãos como parte da igreja. Ao explicar esse apelo, Paulo mostra que a razão da aceitação mútua é que Deus aceitou os dois grupos (Rm 14.2-3). A questão não está entre crer ou não crer, mas entre ter ou não maturidade na fé. John MacArthur resume esse pensamento ao dizer: “O cristão forte come o que lhe agrada e agradece ao Senhor. O irmão fraco come de acordo com a sua dieta cerimonial e agradece ao Senhor por ele ter feito um sacrifício em seu favor. Em ambos os casos, o cristão agradece ao Senhor, assim a motivação é a mesma para o Senhor. Seja fraco ou forte, a motivação por trás das decisões de um cristão sobre os assuntos referentes à consciência deve ser agradar ao Senhor” (Bíblia de Estudo MacArthur, p.1519).
3. Cada pessoa tem as próprias convicções (Rm 14.5-6)
Se antes o apóstolo usou o alimento para exemplificar a liberdade cristã, agora ele reforça o ensino usando o exemplo da diferença entre dias: “um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias” (Rm 14.5). O cristão judeu fraco na fé ainda se preocupava em guardar o sábado, e dias especiais associados à lei e aos costumes judaicos (Gl 4.8-10). O cristão gentio fraco na fé buscava completo distanciamento de qualquer dia ou festividade associada ao paganismo. Já o cristão maduro não era afetado por nenhuma dessas preocupações.
Na sequência, Paulo argumenta: “cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente” (Rm 14.5). “Paulo não está incentivando um comportamento irresponsável. Tampouco está se mostrando favorável a tradições irrefletidas. Mas, partindo do pres­suposto de que cada um deles (o fraco e o forte) tenha refletido na questão e chegado a uma firme conclusão, ele os faz ver que a sua prática deve ser parte integrante do discipulado cristão. ‘Aquele que considera um dia como especial, assim o faz para o Senhor’ (Rm 14.6). Ou seja, ‘para honrar o Senhor’ (BLH), com a intenção de agradar a Ele e honrá-lo (‘para adorar ao Senhor’, NTV)” (A Mensagem aos Romanos, p.437).
4. O cristão não deve ser tropeço para ninguém (Rm 14.13,15-16,21)
Nesses versos, o apóstolo exorta o fraco a não criticar o forte, e chama a atenção do forte para deixar de apontar defeitos no fraco. Os dois grupos não deveriam colocar qualquer tipo de obstáculo para causar tropeço no caminho de seus irmãos. Paulo ensina que a liberdade cristã não pode ser usada para prejudicar o irmão.
É necessário aplicar o amor no exercício da liberdade. Por exemplo: o esposo tem direito e liberdade de dormir com a janela do quarto aberta, para passar a noite sen­tindo a brisa da madrugada. Mas se isso importuna a esposa ou lhe faz mal, ele deve abrir mão do privilégio em benefício do conforto e da segurança dela. Nem uma de nossas ações pessoais vale mais do que o bem-estar do povo de Deus. Dessa forma, devemos procurar o que realmente contribui para a edificação dos irmãos em vez de permanecer obstinados em nossos direitos.
5. Que é o reino de Deus? (Rm 14.17-20)
“Se a primeira verdade teológica que suporta o apelo de Paulo para que os fortes se controlem é a cruz de Cristo, a segunda é o reino de Deus, isto é, o domínio gracioso de Deus através de Cristo e pelo Espírito na vida do seu povo, proporcionando-lhes uma livre salvação e exigindo uma obediência radical” (A Mensagem aos Romanos, p.443).
Assim, vamos contribuir para a paz e a edificação mútua. A igreja não deve ser edifi­cada isoladamente, mas sua construção precisa acontecer em conjunto. Igreja é um edifício espiritual que necessita ser bem planejado, em que cada um tenha seu lugar e desenvolva seu dom (Ef 4; 1Co 12). Não podemos permitir que questões pessoais afetem a obra de Deus. Algo que é bom para nós pode ser um obstáculo aos outros. O reino de Deus exige unidade.
6. A pureza ou a impureza estão na consciência (Rm 14.14,22)
Paulo não está levando em consideração o padrão absoluto de Deus em relação à postura do crente. Nesse caso, a consciência não seria levada em conta, e sim a pró­pria conduta. No texto, o apóstolo deixa claro que o fazer, por si só, e o não fazer é a mesma coisa perante Deus. O apóstolo tinha convicção de que todas as coisas foram criadas por Deus, e tudo que foi criado é bom. Assim, os alimentos e as bebidas que estão sendo discutidos na igreja de Roma são bons porque foi Deus quem os fez. No entanto, nem todos interpretavam a questão, ou ainda o fazem, sob essa perspectiva. Para a pessoa que considera algum alimento ou bebida algo impuro, sua consciência aponta um pecado do qual não quer participar, por isso Paulo diz que ela não deve comer ou beber tal coisa.
Devemos ter certeza de que nossa consciência está limpa diante de Deus. Também precisamos lembrar que não podemos fazer nada que cause a queda de um irmão. Nesse caso, o que é bom para nós pode levar outros ao pecado. Então, o nosso bem se torna mal para ele (1Co 8.10-11). Tal alternativa motivou Paulo a concluir que não devemos fazer nada que sirva de tropeço ao nosso irmão (Rm 14.21; 1Co 8.13).
7. A fé é algo pessoal (Rm 14.23)
O apóstolo conclui o capítulo 14 fazendo distinção entre crer e agir, entre falar uma coisa e fazer outra. Warren Wiersbe, citado por Hernandes D. Lopes, diz que “nenhum cristão pode ‘tomar emprestadas’ as convicções de outro para ter uma vida cristã honesta” (Romanos – o evangelho segundo Paulo, p.457). O crente que não tem certeza de que está fazendo a coisa certa, mas o faz, se condena em seu ato. Isso porque sua ação não está em harmonia com sua convicção interior, ou seja, com sua fé. Tudo o que não é feito em harmonia com a convicção de que está de acordo com a Bíblia é pecado, embora, por si só, possa ser uma ação correta.
Romanos para hoje
Ao mesmo tempo em que a igreja é uma unidade, ela também se reveste da diversidade. Isso implica necessidade de relacionamento maduro entre pessoas com ideias e convicções distintas. Como você tem tratado o irmão fraco da sua igreja? Como tem se relacionado com o irmão mais forte de sua igreja?

III. Cristo é o supremo exemplo de respeito ao próximo (Rm 15.1-13)
1. Cristo não agradou a Si mesmo (Rm 15.3-4)
Cristo não Se entregou para ser crucificado com a finalidade de agradar a Si mesmo, mas de agradar ao Pai. Submeteu-Se à vontade de Deus suportando toda humilhação e dor na cruz em favor dos homens (Sl 69.9). “É como dizer que, para simbolizar sua recusa de agradar a si mesmo, Cristo identificou-se tão completamente com o nome, a vontade, a causa e a glória do Pai que os insultos que seriam dirigidos a Deus caíram sobre ele” (A Mensagem aos Romanos, p.449). Se Cristo é o exemplo, a Bíblia é o manual. Precisamos viver segundo o exemplo de Jesus, buscando conhecimento nas Escrituras.
2. Cristo acolheu também os gentios (Rm 15.7-12)
As diferenças entre irmãos são resolvidas quando agimos como Cristo, ou seja, não agradando a nós mesmos, mas acolhendo o próximo. “Paulo dá uma ordem, apresenta um modelo e estabelece uma motivação: devemos acolher uns aos outros, da mesma forma que Cristo nos acolheu, fazendo isso para glória de Deus. Se o exemplo de Cristo é nosso modelo, a glória de Deus é a nossa motivação” (Romanos – o evangelho segundo Paulo, p.460).
3. Suportem os fracos e vivam em paz (Rm 15.1-2,5-6,13)
Paulo impõe mais uma obrigação sobre os fortes em relação aos fracos, incluindo ele, Paulo, como um forte. O apóstolo exorta os fortes a participarem das lutas dos fracos; viver a experiência de identificação com o sofrimento do irmão (Gl 6.2; 1Ts 5.14). Suportar e carregar os fardos de nossos irmãos é produto de uma profun­da intimidade com Cristo, que fez o mesmo em nosso favor (Mt 11.28-30). Dessa forma, Deus nos encherá de gozo e paz, assim seremos “ricos de esperança no poder do Espírto Santo” (Rm 15.13).
Romanos para hoje
“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5).
Conclusão
Concluímos citando mais uma vez John Stott: “Quando se trata de questões funda­mentais, portanto, a fé é primordial, e ninguém pode apelar para o amor como uma desculpa para negar a essência da fé. Quanto às questões fundamentais, contudo, o amor é que é primordial, e não se pode apelar para o zelo pela fé como uma descul­pa para fracassar no amor. A fé instrui a nossa própria consciência; o amor limita o exercício dessa liberdade” (A Mensagem aos Romanos, p. 454).